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Estratégia e Tática da Revolução Brasileira

El editor del blog aclara que no necesariamente está plenamente de acuerdo con esta publicación.

 

 

Estratégia e Tática da Revolução Brasileira

 

 

Estratégia e Tática da Revolução Brasileira

Boa noite a todos. Em primeiro lugar eu queria agradecer ao Ivan Pinheiro e à Direção Nacional do PCB o convite para participar hoje deste debate, desta mesa sobre estratégia e tática da Revolução brasileira.

Como o tempo não é muito, vou procurar entrar imediatamente no assunto.

Em primeiro lugar, eu gostaria de sublinhar que, assim como meus antecessores nesta mesa registraram, considero o caráter da revolução brasileira - o que é a mesma coisa que a estratégia - como socialista.

Por quê? Porque temos o domínio do capital, ou seja, no Brasil há tempos pode-se falar de um modo de produção capitalista. Não há dúvidas a respeito disso; em outras palavras, o modo de produção dominante no Brasil é o capitalismo, ainda que se trate de um capitalismo marcado pela dependência do imperialismo.

Parece-me que não é possível negar o caráter dependente do capitalismo brasileiro; outra coisa é estudar mais e discutir com maior profundidade as transformações pelas quais tem passado essa dependência. Imagino, pelo pouco que entendo desse tema, que as formas de dependência do capitalismo brasileiro das grandes empresas do capitalismo mundial, ou seja, das grandes potências imperialistas, muito mudou, e deve ter mudado bastante nesses últimos 20 / 30 anos. Por isso, é preciso se conhecer melhor, pesquisar essa questão.

Tenho sérias dúvidas quando se fala em sub-imperialismo brasileiro, ou imperialismo brasileiro; parece-me que a dependência ainda é muito séria e que não pode ser negada.

Um outro ponto que eu quero destacar é que a burguesia industrial brasileira nunca foi revolucionária, e hoje muito menos. Isso na história do Brasil está muito claro: a burguesia está associada em posição de dependência ao capital internacionalizado. Por mais que haja indicações de posições imperialistas, que haja exportação de capitais brasileiros - como a colega aqui falou, a Virginia Fontes -, a dependência, a associação, o capitalismo dependente e associado aos grandes capitais internacionais, não pode ser negado. Temos o domínio dos grandes monopólios capitalistas em nível mundial. Não tem sentido, por isso, como meus antecessores assinalaram, postular uma possível revolução nacional-libertadora no Brasil, ou seja, inexiste a possibilidade de se desenvolver no Brasil um capitalismo autônomo. Se isso já era errado nos anos 1960, hoje é muito mais; é uma tese totalmente ultrapassada.

No Brasil, hoje, lutar contra o imperialismo significa lutar contra o capitalismo; acho que essa bandeira não pode ser abandonada. A luta antiimperialista, no meu entender, está profundamente associada à luta contra o capitalismo. Na hora que se levanta a bandeira do antiimperialismo, que se luta contra as diferentes formas de dominação do capital externo no Brasil, estamos lutando contra o capitalismo. O capital brasileiro, o monopólio capitalista brasileiro já esta há muito tempo entrelaçado e associado ao capital externo; portanto não há como separar isso. Ao empreender qualquer medida de caráter antiimperialista, se estará, no meu entender, tomando medidas também de caráter anticapitalista.

Uma coisa que eu também gostaria de destacar é que não se pode chegar ao socialismo sem revolução, ou seja, sem a conquista do poder político pelas forças revolucionárias, algo que muitos setores passaram a negar, a considerar que era possível se chegar ao socialismo através apenas de reformas. Os clássicos do marxismo, Marx, Engels, Lênin, Gramsci, nos ensinam que é necessária a conquista do poder pelas forças revolucionárias para que realmente possa ser vitoriosa a proposta socialista. Isso também se revela – e é importante destacar - pela experiência histórica, pois o socialismo não foi vitorioso em nenhum lugar sem revolução, seja na Rússia, em 1917, seja na China, em 1949, seja em Cuba, em 1959. Não se tratando, portanto, apenas de um postulado, de uma concepção teórica, é um ensinamento pratico da revolução. O que a gente percebe é que, sem a tomada do poder político, sem a conquista do poder político, é impossível se chegar ao socialismo.

Entretanto, o que eu falei aqui até agora acho que são temas consensuais, pelo menos entre nós aqui presentes. O grande problema, no meu entender, são as formas de transição ao socialismo, ou, em outras palavras, as táticas de aproximação ao objetivo

estratégico traçado, ou seja, à revolução socialista. Trata-se, no meu entender, de um processo de acumulação de forças, de formação de um bloco de forças populares, ou melhor, do que poderia ser chamado de “sujeito povo”, hoje muito mais amplo do que apenas o proletariado, capaz de levar adiante uma proposta realista de alternativa de poder. Acho melhor não falar em “bloco histórico”, porque isso cria confusão com o conceito adotado por Gramsci. Esse “sujeito povo” abrange, no meu entender, não somente a classe operaria - os trabalhadores ligados diretamente ao processo produtivo, à produção de mais-valia segundo Marx, - mas uma quantidade enorme de trabalhadores que, no modo de produção capitalista de hoje, e no Brasil também, são assalariados, brutalmente explorados. São vitimas do capitalismo, mas que não produzem diretamente a mais-valia; temos profissionais das mais variadas funções - bancários, médicos, professores; a grande maioria são assalariados e devem, no meu entender, constituir o que eu estou chamando de “sujeito povo”. Podemos dizer de outra maneira - “bloco de forças populares”; sem duvida, o proletariado, a classe operaria, é o “núcleo duro”, o centro, a força mais importante, dentro dessa força aglutinadora. Mas não estamos mais na época de considerar apenas o proletariado como força revolucionária.

A questão das formas de transição - ou das táticas -, que contribuem para a acumulação de forças, para a unificação dos setores atingidos pela exploração capitalista de uma forma ou de outra, é algo fundamental. Temos, nesse sentido, um exemplo histórico significativo. Até 1921, a proposta de Lênin, do Partido da União Soviética e da III Internacional era a luta pela ditadura do proletariado, considerando-se que, ao final da I Guerra Mundial, na Europa existia uma situação revolucionária e havia a expectativa de revoluções na Hungria, na Alemanha, na Itália e em outros países. Esperava-se que se instaurasse a ditadura do proletariado nesses países, como tivera lugar na Rússia em 1917.

Entretanto, as revoluções foram derrotadas na Alemanha, na Hungria, na Itália, tornandose evidente que não havia mais condições para levantar aquelas mesmas bandeiras. Lênin vai propor, diante da nova situação criada, a luta por um governo operário, um governo de frente única, na medida em que a situação revolucionária na Europa havia sido superada. A forma de transição para o socialismo, naquele momento, deveria ser outra; e a bandeira levantada por Lênin de um governo de frente única tinha esse sentido.

A proposta de alternativa de poder deve expressar, no meu entender, os anseios dos setores populares que irão constituir o que eu estou chamando de “sujeito povo”, acompanhando o que alguns autores latino-americanos já vêm escrevendo.

Nenhuma revolução se fez sob a bandeira do socialismo: “vamos para a rua lutar pelo socialismo!”. Nem a revolução russa, nem o assalto ao palácio de inverno ...(Não acredito que o assalto ao palácio de inverno, que aconteceu na Rússia, vá se repetir no Brasil, com o assalto ao palácio do planalto; acho difícil; os caminhos serão outros. Eu gosto muito da frase de Mariáteghi, grande revolucionário latino-americano, quando ele diz que nós temos que fazer a revolução socialista sem copia nem decalque, mas sim como invenção heróica dos nossos povos. Acho que é isso. Temos que encontrar o caminho brasileiro, não vai ser provavelmente o assalto ao palácio do planalto.) ...mas eu estava falando de outro assalto, o assalto ao palácio de inverno; qual era a bandeira naquele momento?; era uma bandeira muito simples, “Pão, Terra e Paz” . O que isso significava na Rússia naquele momento? Os anseios das camadas populares; a guerra ainda não tinha acabado, estávamos em 1917, a grande aspiração era que houvesse paz, que acabasse a guerra, que houvesse pão - a fome era terrível na Rússia naquele momento – e que houvesse terra para os camponeses. Havia uma massa enorme de camponeses na Rússia, que queriam terra; e foi sob essa bandeira que se realizou a revolução russa. Foi correta essa bandeira e contribuiu para que se avançasse rumo ao socialismo.Em nenhum lugar - se olharmos para Cuba, por exemplo,- foi com a bandeira do socialismo que se fez a revolução; foi a luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista, nos anos 50, que mobilizou o povo cubano naquele momento. Quando Fidel proclamou o socialismo em Cuba, por ocasião da invasão da Baia dos Porcos, num momento extremamente grave para a revolução cubana, o que ele disse naquele momento? Fidel não disse: “nós estamos indo para o socialismo”; ele fez um grande comício, com todo aquele entusiasmo e com todo aquele carisma, e no final falou: “vocês não estão gostando que têm comida, têm escola, têm educação?; pois é, tudo isso se chama socialismo”. Era isso que Fidel dizia para o povo; então ia mobilizando em torno dos problemas que o povo sentia. Socialismo era muito abstrato; pode nos mobilizar a nós aqui, mas não mobiliza as grandes massas, nem mobilizou em lugar nenhum, nem na Rússia Soviética, nem na Cuba de Fidel.

Nas condições atuais do Brasil, o movimento popular se encontra reconhecidamente desmobilizado e desorganizado, devemos ter a sensatez de reconhecer isso. (A exceção é o MST; isso é indiscutível, reconhecido, inclusive, por lideranças dos demais países latinoamericanos.

O MST é o maior movimento popular da América Latina.) Nessas condições, as organizações revolucionárias precisam encontrar as reivindicações que possam mobilizar e contribuir para organização dos diferentes setores populares. Acho que o MST encontrou tais reivindicações. Como surgiu o MST há 25 anos atrás? Foi a partir do desespero das massas rurais que estavam sendo expulsas da terra. O movimento surgiu de uma necessidade premente; a Igreja ajudou através das comunidades de base; surgiram lideranças autênticas, que não foram fabricadas em laboratório, a partir da necessidade de luta desses trabalhadores, que se viam sem terra, se viam numa desgraceira total, então começaram a se organizar e daí surgiram suas lideranças. Dessa organização inicial chegou-se ao MST de hoje, que comemorou 25 anos em janeiro. Estive nessas comemorações como convidada: pude ver 2.500 trabalhadores rurais reunidos com um nível de consciência política que é difícil encontrar aqui pela cidade. Isso é muito interessante, foi o resultado de um trabalho de 25 anos de organização e de educação desses trabalhadores.

Para chegar lá, para alcançar uma ligação estreita com os trabalhadores, é necessário estar lá o­nde estão os trabalhadores, nas fabricas, nos sindicatos, nas escolas, nos bairros, etc. Parece que estou dizendo coisas muito óbvias. O PCB, a vida toda, falou nisso, que era preciso estar lá o­nde estavam os trabalhadores, mas na realidade estava pouco. Poucos militantes e dirigentes do PCB efetivamente estavam nas bases, todo mundo queria estar na direção. É necessário um trabalho consciente, a longo prazo, como o MST realiza, um trabalho de organização popular, que só pode ser feito em torno das reivindicações dos próprios trabalhadores. Não adianta falar para os trabalhadores:

“nós queremos a revolução socialista, vamos para o socialismo, vamos lutar contra o capital”. Vai se ficar falando sozinho, não se vai conseguir coisa alguma, vai se conseguir apenas a adesão de um ou outro elemento mais avançado.

No momento em que vivemos, no nível atual de organização e mobilização em que se encontram os trabalhadores, não me parecem adequadas, portanto, as propostas seja de “frente anticapitalista”, como está nas Teses do PCB, seja de “frente antiimperialista”, seja de “frente socialista”. Nesse sentido, existem diversas propostas de

frentes; eu acho que nenhuma é cabível no momento, porque essas propostas ficariam no papel, estariam fadadas a não se realizar na pratica. Quero lembrar um exemplo da história do PCB: o famoso Manifesto de Agosto de 1950, e seu desdobramento no programa do IV Congresso do PCB, realizado em 1954. O que se dizia? O que se propunha?

Nesse Manifesto, reiterado pelo IV Congresso (4 anos depois) , era proposta a formação de uma Frente Democrática de Libertação Nacional. Tratava-se de criar por todo o Brasil comitês dessa Frente Democrática de Libertação Nacional. Bom, o que aconteceu? O PCB nesse período, nos anos 50, era um partido bastante monolítico, com uma disciplina rigorosa, e os militantes do Partido, muitos heroicamente, se jogaram na luta pela construção dessa frente.

Mas a Frente Democrática de Libertação Nacional nunca saiu do papel, nunca foi adiante. Foi adiante a luta pela democracia; o PCB participou ativamente de uma ampla coligação de forças que organizou a campanha do “petróleo é nosso”, pelo monopólio estatal do petróleo. Essa campanha realmente convenceu e mobilizou setores amplos, inclusive setores dos trabalhadores, mas também das camadas médias, das lideranças sindicais , etc. Então, esse foi um movimento real, que sensibilizou, que mobilizou muita gente. Mas a Frente Democrática de Libertação Nacional, que tinha todo um programa no papel, bonito, etc, não foi para frente, apesar de todo o empenho dos militantes comunistas.

Pessoalmente, eu acho que no Brasil atual não adianta formular propostas de frentes; nós não temos maturidade no movimento popular no Brasil para isso. A meu ver, o mais importante neste momento é elaborar um programa de propostas concretas, viáveis de mobilizar hoje diferentes setores populares e organizá-los, educá-los politicamente.

Trata-se de organizá-los em torno do que eles estão a fim, do que eles estão dispostos a fazer. Eu acho muito interessante, e vou até citar aqui, uma declaração de João Pedro Stedile do MST, em que ele propõe:

“um projeto popular, nos marcos da nossa sociedade, de fortalecermos defato o Estado para que ele adote uma política econômica que leve ao desenvolvimento do país em beneficio do povo.

Quais são os problemas fundamentais do povo no Brasil? Desemprego alto, falta de moradia, necessidade de reforma agrária e ausência de educação.”

(UOL NOTÍCIAS – POLÍTICA – 15/008/2009)

Acho que poderíamos acrescentar: ausência de políticas de saúde pública e também, muito atual, o monopólio estatal do petróleo. Penso que são questões que podem unificar determinados setores. Não vou dizer que o monopólio estatal do petróleo vá unificar toda a sociedade brasileira; certamente não vai; mas há setores, que estão se organizando para isso e podem se mobilizar e, juntamente com setores de trabalhadores urbanos, que já estão mobilizados, avançar nessa luta. O grande problema é como se organizar, como se jogar nesse trabalho, como conquistar os trabalhadores que estão completamente manipulados por todo tipo de pelegos. É nesse trabalho que vão surgir lideranças novas.

  Como reconhece o próprio Stedile: “Não basta colocar no papel ‘esse é o nosso projeto’. É preciso construir, acumular forças populares que atuem para a construção desse projeto.”(IDEM) Eu diria: é preciso mobilizar e organizar amplos setores populares em torno dos seus problemas reais. O decisivo será sempre a pressão popular. A pressão popular pode e deve arrancar conquistas seja do Estado seja dos patrões. Sem pressão popular não se vai conquistar nada significativo.No processo de organização e luta por tais reivindicações, cabe aos comunistas e aos revolucionários de uma maneira geral (e ninguém tem o monopólio desse tipo de liderança) mostrar às massas que a solução definitiva dos problemas existentes só será possível com o socialismo. Aí se vê a importância da educação; novamente citarei o MST, que é o movimento concreto que temos no Brasil hoje, que, ao mesmo tempo que organiza os trabalhadores, que os mobiliza em torno de suas reivindicações, procura educá-los, mostrando que a única alternativa é o socialismo. Trata-se, pois, da formação de quadros capazes de liderar o movimento, pois as lideranças surgem espontaneamente, não são fabricadas em laboratório, não adianta designar uma pessoa, por melhor que ela seja, e colocá-la como líder. Isso não funciona; é na luta que vão surgir as lideranças; e cabe aos revolucionários, aos marxistas, educar esses novos líderes, para que eles possam exercer seu papel de liderança e entendam que o socialismo é a única solução definitiva para o problema da terra, da saúde publica, para todos os problemas que afetam o povo brasileiro, para acabar com a exploração capitalista e imperialista.

Mas há fases intermediarias;é o que chamamos de momentos de transição, para chegar ao socialismo. Para chegar lá, sem cair no reformismo, é necessário a conquista do poder político, ou seja, a revolução. Eu já me referi a isso: a educação das lideranças, dos militantes mais ativos, que forem se destacando nos movimentos populares.


Eles devem ser educados, devem ser preparados e transformados em quadros revolucionários, com o entendimento da necessidade de dominarem uma teoria científica, que os oriente na marcha para a conquista do poder político.E essa teoria é o marxismo. Para dominá-la, é necessário estudar, conhecer a fundo a teoria marxista.Isso é diferente de levantar de imediato a bandeira do socialismo ou mesmo a luta aberta contra o capitalismo, pois tal postura, tal tese, não vai mobilizar. Ao mesmo tempo, quero destacar mais uma vez a importância enorme da formação de quadros com conhecimento do marxismo, a formação revolucionária dos líderes que surgirão no processo de luta e não nos gabinetes. Esse é, a meu ver, o caminho real, efetivo, nos dias de hoje, no Brasil, para dar passos concretos rumo ao socialismo.A experiência das esquerdas, tanto no Brasil quanto em muitos outros países, revela que existe uma certa tradição de envolver-se em discussões intermináveis e, entretanto, não se aproximar dos trabalhadores, não procurá-los lá o­nde eles estão, não realizar o trabalho de organizá-los em torno de suas reivindicações, tentando “abrir a cabeça” de suas lideranças, de seus militantes, procurando educá-los, para avançar na luta. É um trabalho difícil? Sem dúvida. É um trabalho a longo prazo? Sim, indiscutivelmente.Existe uma visão meio romântica – influenciada pela Revolução Cubana, que efetivamente teve aspectos românticos, - de que Fidel desembarcou com 12 revolucionários numa canoa e fez a revolução, subiu a montanha e fez a revolução. Na realidade, quando Fidel fez isso junto a Ernesto Guevara e a outros revolucionários, havia o Movimento 26 de julho, que existia desde o assalto ao quartel de Moncada.Quando Fidel pronunciou aquele discurso “A história me absolverá”, ainda em 1953, já havia todo um trabalho do Movimento 26 de julho, que depois foi um suporte fundamental da guerrilha na Sierra Maestra . Havia nas cidades, contra a ditadura de Fulgêncio Batista, um movimento muito forte, um movimento extremamente organizado, que garantia os recursos financeiros para a guerrilha, assim como vestimentas, armamento e combatentes. Muitos trabalhadores se mobilizaram, mas muitos revolucionários eram também estudantes. Foram organizados, mobilizados, conscientizados, foram educados pelo Movimento 26 de julho e eram enviados para fortalecer a guerrilha. A guerrilha sobreviveu por causa disso e, também, conquistando o apoio dos camponeses, pois levantava os problemas que afetavam os camponeses de Sierra Maestra.


Houve o aspecto romântico, mas o principal foi o trabalho de base, o trabalho de educação, o trabalho de arrecadação de fundos financeiros, fundamental; sem isso, não seria possível mandar armamento para a guerrilha, importar armamento estrangeiro, que era enviado para a guerrilha. Eram enviados também alimentos, fardamentos, diversos recursos, roupas e gente, gente que era formada na cidade e que estava disposta a abandonar tudo e ir para a guerrilha. Então, se vê o nível de organização que existiu e garantiu que a guerrilha fosse vitoriosa.

Claro que houve muita luta, e que não foi fácil essa luta, mas, sem trabalho de base, sem organização popular - e organização popular só se dá em torno do que o povo esta sentido -, sem isso, não se vai para frente, vamos ficar reunindo nós conosco.

El MST Ocupa El Mayor Monocultivo Antiecológico de Naranjas de Brasil

Los sin tierra ocupan la mayor plantación de naranjos de Brasil

 



Unas 250 familias del Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) ocuparon este martes la plantación más grande de naranjos de Brasil, en el centro-oeste del estado de Sao Paulo, y fueron acusadas de haber destruido entre 5 mil y 7 mil naranjos, de acuerdo con la policía y medios de prensa locales.

Los ocupantes usaron un tractor para destruir los naranjos de esta plantación en Borebi, a 300 kilómetros de la capital paulista, según mostraron imágenes difundidas por el canal Globo.

"No hemos destruido nada. Hemos retirado algunos árboles para plantar porotos negros, ya que nadie puede vivir de naranjas", declaró Claudete Pereira, portavoz del MST al diario O Globo.

Los manifestantes aseguran que esta plantación, la más grande de Brasil, con un millón de naranjos, es tierra pública. Sin embargo, el Instituto Nacional de Colonización y Reforma Agraria (INCRA) respondió que estas tierras no pertenecen al gobierno federal.

Los manifestantes habían anunciado que permanecerían en el lugar hasta que la justicia tome una decisión, la cual se conoció en la tarde de este martes, y determina la salida inmediata de los Sin Tierra del establecimiento agrícola, informó el diario Folha de Sao Paulo.

El MST, que reclama una reforma agraria, cumplió 25 años en 2009, y en este contexto afirmó que el objetivo de la ocupación es denunciar que se trata de tierras federales en manos de empresas privadas, que son usadas de manera irregular para producir jugo. Además, dijo, afectan a los pequeños productores y dañan el ecosistema con derrames contaminantes en los ríos.

El movimiento de los Sin Tierra dijo que a la fecha acampan en Sao Paulo unas 1.600 familias que luchan por la tierra.

En otro orden, el presidente Luiz Inacio Lula da Silva exigió en Estocolmo que los países ricos, grandes emisores de gases de efecto invernadero, entre ellos Estados Unidos, asuman su responsabilidad en la lucha contra el cambio climático en el mundo, al participar en la tercera cumbre en la materia entre la Unión Europea y Brasil.


Fuente original: http://www.jornada.unam.mx/2009/10/07/index.php?section=mundo&article=025n2mun

La Constitución vence a Berlusconi: ¡Viva la Constitución!

La Constitución vence a Berlusconi: ¡Viva la Constitución!

Gorka Larrabeiti





El primer ministro italiano, el conservador Silvio Berlusconi, recibió ayer un duro golpe a su poder al invalidar el Tribunal Constitucional italiano el "laudo Alfano" (por el apellido del ministro de Justicia), la ley que le daba una preciosa inmunidad y que sirvió para suspender los procesos penales en su contra.

De los quince jueces del máximo tribunal del ordenamiento jurídico italiano, nueve votaron por la inconstitucionalidad del "laudo Alfano". Los otros seis, a favor.

La Corte declaró que habían sido violados dos artículos de la Constitución italiana de 1949. En primer lugar el artículo 138 que impone en estos casos que el Parlamento debe dictar una ley constitucional y no una ordinaria. Pero aprobar una ley constitucional requiere al menos entre uno y dos años, porque las cámaras deben votar dos veces y obtener una mayoría calificada. Alega también el Tribunal que el laudo Alfano vulnera además el artículo 3, que rige el principio de igualdad de todos los ciudadanos ante la ley.

Como consecuencia de esta decisión, se reanudan cuatro casos:

1) El caso Mills, que consiste en un delito de corrupción en acto judicial. Según la acusación Berlusconi "compró" al abogado inglés David Mills para que diera falso testimonio en el proceso "All Iberian", en el que se investigaba el sistema de sociedades en paraísos fiscales ligadas al grupo Fininvest.

2) Derechos publicitarios: se acusa a Berlusconi de fraude fiscal en la gestión a través de fondos en dinero negro de los derechos televisivos de Mediaset.

3) Mediatrade: comienza la investigación sobre derechos televisivos. La acusación sostiene que Berlusconi y un socio oculto, el egipcio Frank Agrama, se apropiaron de fondos de la sociedad.

4) Compraventa de senadores: la fiscalía había pedido el archivo, pero la ilegitimidad constitucional del laudo Alfano permite que se investigue una presunta oferta de favores a senadores a cambio de que provocaran la caída del gobierno Prodi.

Berlusconi contestó inmediatamente la decisión de la Corte Constitucional. Sus declaraciones revelaron la verdadera naturaleza de su pensamiento político. Acusó a la Corte Constitucional de ser de izquierda, acusó al Presidente de la República de ser partidista. Por si fuera poco, el mismo día en que en el Parlamento Europeo varios eurodiputados pedían que se tomaran medidas de castigo contra Roma, Silvio Berlusconi acusó a la prensa de pertenecer en un 70% a la izquierda, denunció que los programas de la televisión están en manos de la izquierda y que los programas de cómicos se burlan de él. Para Berlusconi, sólo una cosa cuenta: el consenso. Asegura que el 70% de los italianos está con él; por tanto, todo aquello que se interpone entre él y su "pueblo" es subversivo.

Nada más de izquierda que la Ley. Nada más revolucionario en estos momentos que la Constitución italiana, que ha permitido que impere la igualdad de los ciudadanos ante la Ley.

Rebelión ha publicado este artículo a petición expresa del autor, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.

¿Prepara EE.UU. el bombardeo de Irán?

¿Prepara EE.UU. el bombardeo de Irán?


Jonathan Karl


Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens

¿Acelera EE.UU. los preparativos para un posible ataque contra las instalaciones nucleares de Irán?

El Pentágono siempre hace planes, pero sobre la base de una poco notada solicitud de financiamiento enviada recientemente al Congreso, la respuesta a esa pregunta parece ser positiva.

Primero, algunos antecedentes: En octubre de 2007, ABC News informó que el Pentágono había solicitado al Congreso 88 millones de dólares en la solicitud de emergencia de financiamiento para la guerra de Iraq/Afganistán para desarrollar una inmensa bomba revienta búnkeres llamado Massive Ordnance Penetrator (MOP). Es una bomba de 13.500 kg hecha para destruir objetivos enterrados a 60 metros bajo tierra. En aquel entonces el Pentágono mencionó una “urgente necesidad operacional” para la nueva arma.

El contralor dijo que el Pentágono planeaba gastar 19,1 millones de dólares para comprar cuatro bombas, 28,3 millones de dólares para acelerar el “desarrollo y prueba” de la bomba y 21 millones para acelerar la integración de la bomba en bombarderos stealth B-2.

“Urgente necesidad operacional”

La notificación estaba incluida dentro de una solicitud de “reprogramación” de 93 páginas que incluye unos cientos de otros ítems mundanos.

¿Por qué ahora? La notificación dice simplemente: “El Departamento tiene una Urgente Necesidad Operacional (UON, por sus siglas en inglés) por la necesidad de atacar duramente objetivos enterrados a profundidad en entornos de alta amenaza. La MOP es el arma preferida para satisfacer los requerimientos de la UNO.” Además señala que la solicitud es apoyada por el Comando Pacífico (que tiene responsabilidad por Corea del Norte) y el Comando Central (que es responsable por Irán).

La solicitud fue silenciosamente aprobada. El viernes, McDonnell Douglas recibió un contrato por 51,9 millones de dólares para suministrar "Massive Penetrator Ordnance Integration" en aviones B-2.

No es el tipo de arma que sería particularmente útil en Iraq o Afganistán, pero es idealmente apropiada para atacar instalaciones nucleares enterradas profundamente como en Natanz o Qom en Irán.

Carta aberta do Povo Brasileiro ao Conselho Segurança da ONU

Carta aberta do Povo Brasileiro ao Conselho Segurança da ONU

 

 

Estamos envergonhados pelo triste papel que as tropas militares através da Missão de Estabilização do Hati - Minustah,vêm desempenhando no Haiti. A presença das tropas brasileiras é inaceitável

 

 

Conselho de Segurança da ONU

Nós, povo brasileiro, organizado nos movimentos sociais, sindicatos, partidos, centrais sindicais, organizações sociais e demais entidades estamos envergonhados pelo triste papel que as tropas militares através da Missão de Estabilização do Hati - Minustah, vêm desempenhando no Haiti. Não se tem notícia na história da humanidade que uma tropa de ocupação estrangeira tenha contribuído na melhoria das condições de vida de um povo. E muito menos na sua libertação!

A presença das tropas brasileiras no Haiti é inaceitável. Além de nos envergonhar como povo, fere duramente a soberania do heróico povo haitiano, que sofre todas as mazelas de anos de exploração. Nosso apoio deve ser material, de intercâmbio educacional e cultural, jamais militar.

 

O que as Nações Unidas estão gastando (cerca de 600 milhões de dólares por ano) para manter as tropas no Haiti. Essa quantia é mais do que o necessário para resolver os problemas fundamentais de seu povo: a falta de energia, alimentos, moradia, educação e emprego.

 

Nesses quatro anos, não há notícias de nenhuma melhoria nas condições de vida dos haitianos Pelo contrário, há inúmeros registros de violação dos direitos humanos pelas próprias tropas estrangeiras que invadiram o país. Nós, como movimentos sociais brasileiros, nos dispomos a ajudar da forma que o povo do Haiti solicitar.

 

Sabemos que o Conselho de Segurança da o­nU até o dia 15 de outubro de 2009 irá votar a renovação ou não do mandato da Minustah. Pelo que foi afirmado, os que abaixo assinam, nos pronunciamos pela imediata retirada das tropas brasileiras da MINUSTAH e do território haitiano. E por sua vez, exigimos da o­nU que cesse esta missão de ocupação e de violação dos direitos do povo de Haiti.

 

 

 

 

Assinam:

Casa da America Latina

Coletivo de Hip Hop LUTARMADA

Conlutas

Direito para Quem

Fórum de Meio Ambiente dos Trabalhadores

GT Negros BH

Instituto dos Defensores dos Direitos Humanso - IDDH

Instituto Politicas alternaivas para o Cone SUl - PACS

Intersindical

Jubileu Sul Brasil

Justiça Global

Mandato Marcelo Freixo

Movimento Consulta Popular

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

União da Juventude Comunista

Associação de Favelas de São José dos Campos

Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Rede Brasileira de Ecossocialistas

MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores

Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência

Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo

Instituto São Paulo de Cidadania e Política

Associação Americana de Juristas

Sindeess (Sindicato dos empregados em estabelecimento serviços de saúde)

 

Entrevista con el obispo Pedro Casaldáliga

Entrevista con el obispo Pedro Casaldáliga "Pueden quitárnoslo todo menos la fiel esperanza"


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A sus 81 años, el obispo emérito de la diócesis de São Felix do Araguaia es uno de los más destacados representantes de la Teología de la Liberación y se ha convertido en un referente para la izquierda latinoamericana. Desde que hace cuatro décadas llegó a Brasil para quedarse, su trabajo en defensa de los derechos de los pueblos indígenas y de los grupos sociales más oprimidos, así como su apoyo a los movimientos brasileños de campesinos sin tierra y a la revolución sandinista en Nicaragua en los años ochenta, hacen que Pedro Casaldáliga sea parte fundamental de la memoria viva de la lucha por la dignidad y por la liberación de los pueblos en América Latina.

A mediados del pasado mes de agosto, Pedro Casaldáliga recibía a un grupo de activistas sociales del Estado español en su humilde casa de São Felix, en el estado brasileño de Mato Grosso, para reflexionar que "la mundialización nos ha dado la oportunidad de reconocer que somos una sola humanidad. Somos todos iguales, debemos serlo, en dignidad y en oportunidades". Así se daba inicio a una conversación en la que se trató desde la situación política de Brasil hasta las perspectivas actuales de la Teología de la Liberación, pasando por el modelo de consumo o los retos de la izquierda latinoamericana.

Desde la perspectiva que da el llevar ejerciendo muchos años el compromiso con las personas más desfavorecidas del planeta, ¿qué significado tiene para ti hoy la solidaridad?

La pregunta que se hace desde el Primer Mundo es ¿qué podemos hacer nosotros? Pues renunciar, por fin, que ya es mucho pedir, al privilegio de ser Primer Mundo. Renunciar a esta condición excepcional de una mínima parte de la Humanidad, si la comparamos con la inmensa mayoría de todo el Tercer Mundo. Estamos intentando subrayar siempre que la solidaridad ha dejado de ser aquella solidaridad paternalista, de enviar la ropa, los medicamentos, ciertos recursos... Ha de ser una solidaridad que va y que viene, mucho más concreta y mucho más exigente: damos y recibimos, para que también la propia solidaridad, además de alimentar personas y curar enfermedades, facilite y estimule la vivencia de la propia cultura. Porque nosotros ayudamos a personas que tienen una cultura, que no son simplemente un estómago y unas venas, sino que son pueblos. Por eso, hemos de procurar que la solidaridad sea constante, consciente, autocrítica, local y global: de ida y de vuelta.

Cuando te viste con Fidel Castro hace veinte años, él afirmó que "la Teología de la Liberación ayuda a la transformación de América Latina mucho más que millones de libros sobre el marxismo". ¿En que se basa actualmente la Teología de la Liberación?

A día de hoy, hay diferentes teologías de la liberación. Lo que se ha hecho es incorporar más explícitamente temas, sectores de la sociedad, de la vida, que antes no eran tan considerados. Han ido surgiendo las cuestiones asociadas a los indígenas, las mujeres, la ecología, los niños de la calle... Ahora, se trata de una teología enriquecida por las reivindicaciones de esos grupos emergentes y, por eso, la Teología de la Liberación ya es muy plural en sus objetivos, siempre dentro de la reivindicación de la liberación. Cuando pedimos liberación para el pueblo negro, pedimos que pueda sentirse con orgullo negro, y que no le sea privada la cátedra, la función publica, el gobierno, que no haya la segregación que todavía hay. Yes que cuando yo vine a América Latina, hace 41 años, los negros, en su inmensa mayoría, no se reconocían como tales. Incluso, se estiraban el pelo para que no pareciera cabello de negro. Ahora están recuperando su orgullo, su identidad. Algo parecido ha ocurrido con la población indígena. Cuando llegué a Brasil se decía que había 150.000 indios, mientras hoy hay un millón. En esta región, por ejemplo, los indígenas tapirapé reconquistaron su territorio, los karajá han reconquistado asimismo una parte de sus territorios, los xavante también... y todo eso tiene espíritu de Teología de la Liberación.

Una de las críticas que se le hace a la Teología de la Liberación por parte de los conservadores es que se trata de una teología muy materialista, que se preocupa mucho de intereses materiales, de necesidades físicas y olvida el espíritu, la oración. Ante eso, yo reivindicaría tres o cuatro trazos que serían indispensables en la Iglesia de Cristo: el primero, la opción por los pobres; el segundo, conjugar fe y vida; el tercero, la Biblia en manos del pueblo; cuarto, la solidaridad auténticamente fraterna.

¿Qué ha permitido que cuajase en América Latina?

En América Latina, la Teología de la Liberación se desarrolló en un momento muy oportuno: acababa de acontecer el Concilio Vaticano II, en el año 1968 cuando yo llegué aquí- corrían vientos de cambio, tenían lugar las dictaduras militares, con lo que el contexto fue propicio para plantar pie y echarse a la liberación. Además, en América Latina hay una cierta unidad de continente. Es el único continente que puede llamarse la patria grande: Nuestra América, como decían los libertadores. Eso facilitó que surgiese una teología característicamente latinoamericana.

Recuerdo siempre cómo las persecuciones, los exilios, las torturas, los mártires, conjugaron mejor toda la realidad latinoamericana. Aquí en Brasil a veces se sentía que estábamos un poco distantes de la América Latina hispanoparlante: un país demasiado grande, con otro idioma... Pero después de todas esas dictaduras militares, donde se mezclaron los cantos y se mezcló la sangre, América Latina es más ella, y es ella y el Caribe. Eso sí, yo prefiero la expresión Nuestra América, porque los libertadores usaban más esa denominación: Bolívar, Martí, Sandino, Fidel...

En la Agenda Latinoamericana que elaboráis cada año, que sirve de base de trabajo a muchos activistas del continente, en 2009 habéis puesto como título "Hacia un socialismo nuevo". ¿Qué quiere decir esto del socialismo nuevo?

¿Quién lo sabe? (risas) Se podría decir también izquierda, o socialismo, pero en cualquier caso hay unas cuantas exigencias indispensables: primero, no se puede tener como objetivo el lucro; segundo, ha de haber una cierta igualdad, unos niveles bastantes igualitarios, por ejemplo, en los salarios de un ministro y de un campesino; se ha de reivindicar un intercambio de países de igual a igual y, finalmente, no se puede aceptar que el capital se haga el dueño del trabajo, de la economía y de la propia democracia.

Como estamos viendo con el caso de Honduras, ¿pueden volver los tiempos de los golpes de Estado a América Latina?

Quién sabe. Al menos, en Nicaragua y El Salvador, ya no podrá haber nunca lo que hubo: habrá injusticias, habrá situaciones complicadas, pero una revolución bastante popular no se pierde por completo.

Eso sí, el hecho de que un país pueda ser masacrado constantemente y no haya nadie que pueda intervenir en eso, da prueba de que la Humanidad está mal. El socialismo no puede aceptar la idea del colonialismo, del imperialismo. En este sentido, debemos gratitud a Cuba, porque, con todos sus pecados y sus excesos, el hecho de contestar tercamente al imperio es un gran servicio para América Latina y para el mundo. En ese sentido, una política mundializada podría suponer una oportunidad global.

Has venido haciendo también mucho hincapié en el problema del consumismo.

Hasta ahora el consumismo ha sido visto como un exceso de vanidades, que si hay que tener cuarenta pares de zapatos, dos televisiones, etc. Pero esto es mucho más serio: se consumen derechos, se consumen necesidades. Si hay un 20 por ciento de personas y familias que están en la situación de estar bien, que viven en la civilización del bienestar, hay un 80 por ciento que no tiene lo fundamental. El consumismo es capitalista, y todo lo malo que tiene el capitalismo lo tiene el consumismo. Si comparas lo que pasa cuando hay un terremoto en Japón y cuando sucede en Honduras, ves que en un sitio mueren tres personas y en el otro, dos mil. Los países del Primer Mundo se permiten ir haciendo, y detrás de nosotros, dicen, el diluvio. Porque lo primero que se mira no es el mundo, es la propia casa.

Para la agenda del año que viene, proponéis como lema "Salvémonos con el planeta".

Dentro de esta visión de globalidad, descubrí por fin que el planeta es nuestra única casa. Yno hay modo de salvarnos nosotros si no salvamos el planeta. Mejor aún: es bueno recordar que podemos acabar los hombres completamente y el planeta seguirá. Hasta por egoísmo, diríamos, ahora nosotros sólo nos salvamos si es con el planeta.

Se ha creado una conciencia que antes no existía: la Amazonia ha sido prácticamente descubierta, por decirlo así, en los últimos tiempos. Para la Iglesia, no existía la Amazonia. Hubo actitudes de algunos "avanzados", más bien con ideas bucólicas que políticas, que eran definidos como unos quijotes simpáticos pero no pasaban de ahí. Últimamente, con la globalización, diversos técnicos y científicos recuerdan que la cosa va en serio. Y se ha llegado a una postura más política.

Frente a todo ello, ¿qué se puede hacer?

Ha de ser un gran proceso de conversión, un cambio de mentalidad. Mientras que creamos que podemos tener todo lo que queramos, no hay solución. Precisamente porque la situación es global, ha de llegar a todas las bases la propuesta de dar una conciencia crítica sobre la situación real. Cada familia tiene el derecho y el deber de poner un cierto tope: si por un lado el padre está en una ONG de solidaridad y por otro lado el hijo está consumiendo a mansalva, con esa conducta estamos desmoralizando lo que estamos construyendo.

Es bueno que salgan tantas noticias en boletines alternativos, para que nos demos cuenta de lo que está pasando. Como dicen muchos especialistas, no va a haber problemas: ya los hay y llegamos tarde, había que resolver las cosas anteayer. Otros, más esperanzados, dicen que todavía hay tiempo, que aún se pueden resolver los problemas. Sólo que para eso se necesitan políticas oficiales. Es un gesto que una familia tenga un coche en vez de tener tres, pero no resuelve el problema del petróleo.

¿Dónde queda entonces la política?

Solo se puede resolver el problema si hay, de forma simultánea, políticas oficiales y políticas domésticas, grupales, de partidos, asociaciones, ONG. Como se está diciendo mucho ahora, hay que trabajar localmente y globalmente. Hay que dar más valor a la política. Hay que meterse en política, hay que asumir la vocación política. Si no, nos quedamos en cantar canciones de protesta. La política ha sido desmoralizada, ha ido quedando en manos de gente sin conciencia social ni responsabilidad. Tanto los partidos como los sindicatos han supuesto muchas decepciones, pero continúan siendo válidos, aunque ya no son tan hegemónicos porque también hay muchos movimientos sociales y ONG que son muy valiosos.

Las mejores ONG son las muy politizadas: cuidan de ayudar estimulando, ayudar propiciando la acción y la formación. Se debería pedir que las ONG hicieran un examen de conciencia política. Porque están ayudando, sí, pero ¿y estructuralmente? La Iglesia católica siempre ha hecho caridad, pero si no nos metemos con las estructuras, continuaremos con unas que son nefastas.

A un año de las elecciones generales en Brasil, ¿cuál es tu valoración del Gobierno de Lula?

Lula, aunque quisiera, no podría hacer un Brasil socialista. Ahora bien, él podría propiciar muchos gestos que fueran hacia el socialismo: rebajar los salarios de los más ricos y subir el de los más desfavorecidos; facilitar oportunidades a los grupos humanos que no las tenían; poner el trabajo por encima del capital; no entregarse en cuerpo y alma al agronegocio, sino a la agricultura familiar. ¿Se puede exportar? Claro que sí, pero no dando prioridad a lo que no es prioritario. Su lema del mandato ha sido: que todos los brasileños coman una vez por día. Eso es un paso de proto- socialimo, qué menos que eso, ¿no? Pero, así con todo, hay millones que no comen cada día. Y qué jefe de Estado ha tenido la popularidad del 80 por ciento que ahora tiene Lula.

¿Cómo valoras el papel de los movimientos antiglobalización, los encuentros del Foro Social Mundial y las organizaciones que defienden que "otro mundo es posible"?

Esa conciencia mundializada nos ayuda a comprender que debemos transformar el mundo. No vale con cuidar solo la propia casa y el propio país. La utopía se hace así más posible, porque ya es una utopía con visión política, de solidaridad, con actitudes concretas. Años atrás, ¿quién podría pedir un gobierno mundial? Hoy, hablar de ello ya no es tan utópico. La utopía es hija de la esperanza. Yla esperanza es el ADN de la raza humana. Pueden quitárnoslo todo menos la fiel esperanza, como digo en un poema. Ahora bien, ha de ser una esperanza creíble, activa, justificable y que actúa. Por eso la Teología de la Liberación ha insistido tanto en la praxis: si decimos que Dios es amor hay que practicarlo; si es vida, hay que potenciar la vida. La religión no es praxis, nos decían, es fe. Pero la fe sin praxis es una quimera, y también un sarcasmo. Teóricamente, la cosa está clara; ahora, en la práctica, vamos a ver…


Pedro Ramiro es investigador del Observatorio de Multinacionales en América Latina (OMAL) - Paz con Dignidad; María González Reyes y Luis González Reyes son miembros de Ecologistas en Acción. Esta entrevista ha sido publicada en el nº 39 de la Revista Pueblos, septiembre de 2009.

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He vivido volando como un pájaro, pero en aviones, lo que nunca me gustaba demasiado y a veces necesitaba descansos que no tuve. Nunca soporté la injusticia sobre los pueblos y elegí cantar para todos. Elegí cantar lo que sentía de impotencia ante cualquier tipo de injusticia y porque nunca me encasillé en nada que me quitara esa libertad de amar a los pueblos del mundo.

Mercedes Sosa

Víctimas de Pinochet Exigen Justicia

Hacemos llegar a su prestigioso Medio de Comunicación, apreciación de últimos meses de mandato de la actual Presidenta, de la Republica de Chile. Doña Michelle Bachelet Jeria, y en especial a lo que respecta en Materia de Derechos Humanos.


La Señora Presidenta se encuentra a seis meses de la  culminación de su mandato, los avances en Materia de Derechos Humanos, que se han realizado en favor de las victimas sobrevivientes, han sido nulas, ya que actualmente los Exprisioneros Políticos y torturados, siguen pidiendo entrevista con la primera mandataria, sin que esta  se produzca, habiéndolo  solicitado las Organizaciones Nacionales en reiteradas ocasiones, estas  han sido rechazados y no tomadas en cuenta con el pretexto de que “la agenda de la Presidenta no lo permite por tener importantes e impostergables compromisos” lo que a buen entendedor nos deja claro que “nosotros los sobrevivientes no somos importantes y si somos absolutamente postergables”.


Una vez mas en este cuarto Gobierno de la concertación y que además como broche de oro, cuando se ha tratado de aprobar en las Cámaras Proyectos emblemáticos, como ser la Ley que eliminaba la prescriptibilidad y la amnistía, y otras como el proyecto que ratifica la Convención Interamericana de desaparición Forzada tampoco pudieron ser aprobadas, por falta de quórum, donde una vez más los parlamentarios, que supuestamente debieran haber estado, brillaron  por su ausencia al igual que en las veces anteriores, dejándose entrever  el poco compromiso y seriedad, para con las victimas sobrevivientes y sus familiares.


Los beneficiarios Valech, poseen pensiones de indigentes, que no alcanzan ni siquiera para cubrir sus necesidades médicas, productos de las consecuencias de la dictadura conocidas por todos nosotros, los delitos de lesa humanidad no prescriben Sra. presidenta.


Por otro lado llama enormemente la atención, de como se jacta el Ejecutivo de este Gobierno, al decir que la Economía esta bien cimentada, o sea las Arcas Fiscales, están perfectamente bien, y más nos extraña de que el Ministro de Hacienda diga que es para las vacas flacas, pero nada dice de las deudas que tiene el Estado de Chile, para con las Victimas y del tremendo daño que se les ocasiono a sus Familiares, ya que la represión fue feroz en contra de aquellos que defendieron la Democracia, y donde el combate de las ideas era reprimida, por el poder de las armas, por  aquellos que ostentaban el poder, en forma Dictatorial, por tanto el Compromiso del Estado de Chile debería ser de sanear la deuda que se tiene en Materia Derechos Humanos, antes que la actual Presidenta deje el cargo, o en caso contrario, las pobres Victimas seguirán esperando por Reparación Justicia y Verdad, sin que se dignen a escucharlos.

Por tanto urge la impulsacion de verdaderas leyes en favor de las Victimas, en diferentes Materias, para que estas beneficien en forma directa a sus grupos familiares, y no como se a estado haciendo hasta ahora, con pensiones miserables denominadas Austera y Simbólica, ( como si el golpe de estado hubiese sido algo tenue y pasajero), que apenas les alcanza para sobrevivir, seria bueno que el señor Ministro de Hacienda, y la señora Presidenta así como están preocupados del crecimiento del País, que es loable que lo hagan, también se preocupen de las miles y miles de Victimas que quedaron de la  Exdictadura Militar y así pueda dejar en su mandato un buen precedente, antes de que deje el cargo, que algo se hizo en Materia de Derechos Humanos en Chile.


Los beneficiarios Valech, poseen pensiones de indigentes, que no alcanzan ni siquiera para cubrir sus necesidades médicas, productos de las consecuencias de la dictadura conocidas por todos nosotros, los delitos de lesa humanidad no prescriben Sra. presidenta.


Los sobrevivientes estamos cansados de simbolismos, la justicia no se puede basar  solo en simbolismos exigimos JUSTICIA, pero así como nosotros la entendemos, no como la entiende el gobierno, justicia es para nosotros: establecer la verdad, castigar en forma ejemplar a los culpables y reparar en forma integral justa y adecuada de acuerdo al daño causado a las víctimas sobrevivientes.


Juicio y castigo a los culpables.

Exigimos verdad y Justicia.

Cárcel para los torturadores, violadores y asesinos.

Reparación digna a las víctimas de la dictadura.




Atentamente la Directiva de
 
Agrupación Solidaria de Ex Presos Políticos y Torturados de Magallanes-www.unexpp.cl
 

Agrupación Solidaria de Ex Presos Políticos y Torturados de Magallanes