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Motivaçao da Perseguiçaô ao MST em Brasil

Entrevista - "Querem desmoralizar quem faz luta social nesse país"



José Dirceu entrevista João Pedro Stedile

Segundo Stedile, "o principal objetivo da CPI do MST é provar que o governo vai destinar dinheiro para o MST para fazer campanha para a (ministra) Dilma Rousseff", o que, na realidade, constitui-se na construção de mais um factóide pela mídia e oposição.

A Comissão é também, na avaliação de Stedile, uma resposta dos setores retrógrados da sociedade brasileira à vitória dos movimentos do campo que, junto ao governo, conquistaram a alteração dos índices de produtividade utilizados pelo INCRA.

Quanto ao episódio da ocupação da fazenda do grupo Cutrale e a derrubada de laranjais, Stedile reconhece que houve erro, mas aponta a superexposição do episódio na mídia. Denuncia, inclusive, que a invasão da casa de funcionários e a quebra dos tratores por ocupantes da fazenda é uma mentira. De acordo com o relato de Stedile, as imagens exploradas pela mídia foram feitas muitos dias antes que começassem a ser apresentadas e que aqueles que as fizeram aguardaram o momento que julgaram mais oportuno para exibi-las e criar o sentimento que levou ao recolhimento e obtenção das assinaturas parlamentares para a CPI.

Membro da direção nacional do MST - e também da Via Campesina - Stedile faz um diagnóstico da situação agrária no país. Fala sobre a importância da agroindústria e critica a ausência de uma política clara e focada na agricultura familiar em detrimento do agronegócio. Este, segundo o economista, está hoje monopolizado nas mãos de 20 empresas, 70% delas, transnacionais. Nesta entrevista, o ativista também analisa a contexto americano após a vitória e posse de Barack Obama e o próximo ano eleitoral. Mais urgente do que declinar apoio a um candidato, observa, é a discussão de um projeto de desenvolvimento nacional que inclua, de vez, a reforma agrária na agenda.

Entrevista

 

  Zé Dirceu - Qual a avaliação que você faz da reforma agrária no governo Lula?

Stedile - É difícil fazer esse balanço isolado do contexto maior da disputa na sociedade brasileira, hoje, entre dois modelos de produção agrícola, o agronegócio e a agricultura familiar.

O agronegócio, na nossa avaliação, é hoje uma aliança de classes entre os fazendeiros capitalistas, as empresas transnacionais e os bancos. Sua produção depende cada vez mais do crédito financeiro. Tanto é que para produzirem R$ 90 bi, eles tiram no Banco do Brasil, R$ 85. Se não tiver esse dinheiro, não produzem porque não têm capital próprio.

Por outro lado, há o modelo da agricultura familiar, diversificado e com base na mão de obra familiar, no uso intensivo da terra e voltado para o mercado interno. A reforma agrária só tem sentido se for para fortalecer esse segundo modelo. Na realidade, o que houve no governo Lula, foi um embate permanente entre esses dois modelos, com ministros dos dois lados. Por mais que se diga “é possível a convivência dos dois”, o governo precisava ter uma orientação política clara: “a minha prioridade é a agricultura familiar e o agronegócio que vá para o mercado."

Isso ele não fez. Deixou que as forças do capital agissem por conta própria na agricultura, o que construiu barreiras, porque o capital foi se fortalecendo com esse modelo do agronegócio. O resultado disso veio agora no Censo Agrícola do IBGE. Nos últimos dez anos - parte do governo Fernando Henrique e todo o governo Lula - houve uma incontestável concentração na propriedade da terra e no controle da produção agrícola.

O MST utiliza um dado econômico revelador: o agronegócio conta com 300 mil fazendas com mais de 200 hectares e com 15 mil latifundiários que detém fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Esse é o conjunto do agronegócio que produz R$ 90 bi do PIB agrícola no país. Se você olhar para quem eles vendem, descobrirá que 20 empresas, hoje, controlam todo o comércio agrícola brasileiro, tanto o de insumos (para financiar a produção), quanto o de commodities. Dessas 20 empresas, 70% são transnacionais e o PIB delas – segundo dados do Valor Econômico - atinge R$ 112 bi a R$ 115 bi.

Claro que tem a margem de lucro. Mas podemos perceber o movimento do capital. Toda a produção do agronegócio é concentrada por 20 empresas que acumulam essa riqueza que vem da natureza. Nisso destaca-se, também, o movimento do capital que levou a uma maior oligopolização da agricultura. Há vários segmentos que se constituem em oligopólios, um nos fertilizantes, outro nos venenos agrícolas, outro nas máquinas, no comércio etc.

Por exemplo, nós somos os maiores produtores de soja mundial enquanto território, mas vai ver quem exporta. Quem controla a soja no Brasil, hoje? Cinco ou seis empresas a Bunge, a Monsanto, a Cargill, a Dreyfus e a ADM do Brasil. Elas ficam com a maior parte da margem de lucro. É por isso que nós até damos risada, porque a burguesia agrária - essa que se diz representante do agronegócio - não tem consciência de classe para si. Se tivesse, teria que se unir com os camponeses e os trabalhadores agrícolas, para juntos, enfrentarmos essa espoliação feita pelas transnacionais. Mas não, ela prefere se unir exatamente com as transnacionais e dar pau em nós e na reforma agrária. Esse é o contexto e o governo Lula, como é um governo de composição de classes e de uma correlação de forças muito equilibrada, é o reflexo dele.

Pensando em uma proposta de desenvolvimento nacional, qual o papel de cada setor no campo, considerando o agronegócio, a agricultura familiar e a reforma agrária, processos em andamento, nos próximos anos? Num governo que tivesse condições de fazer mais políticas...

O grande desafio que temos nesse período histórico - nem é conjuntural – é que o Brasil precisa de um projeto que reorganize a economia para resolver o problema do povo brasileiro. Um projeto que, do ponto de vista político, recupere as massas como atores políticos. E a reforma agrária está emperrada justamente porque só fazer assentamentos nos moldes tradicionais do INCRA não tem futuro, porque está descolado de um projeto. A reforma agrária só tem futuro se for parte de um projeto de desenvolvimento econômico, social e político de todo o país.

Se fizermos a reforma agrária com a agricultura popular dentro desse projeto, precisaremos de uma nova concepção que parta de alguns princípios e vontade política. Por exemplo, (por esse projeto) nós vamos fixar o homem no interior, combater o êxodo rural. As cidades brasileiras não agüentam mais esse inchaço. Nós faremos um processo de distribuição de renda para que os trabalhadores tenham mais dinheiro e comprem mais produtos da indústria, ativem o mercado interno. Dentro desses parâmetros - parte de um projeto diferente e prioritário - qual seria o nosso papel enquanto agricultura familiar?

Primeiro: evidentemente que em algumas regiões do Brasil, você tem que priorizar o processo de distribuição de terras. Não precisa ser em todo o país. Nós temos terra para todos, mas em algumas regiões, é preciso uma intervenção do Estado, uma intervenção clara que combata o latifúndio e garanta uma democratização do acesso à terra. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, há terras férteis, todos os climas, mas precisamos da intervenção do Estado para fazer uma grande reestruturação fundiária. Na Zona da Mata no Nordeste, a mesma coisa. É um absurdo continuarmos com a cana de açúcar, há 500 anos espoliando aquele povo. Aquilo é semiescravidão. Portanto, é preciso regionalizar, o que aliás está em todos os processos de reforma agrária.

Segundo: é inviável distribuir terras sem combinar com a agroindústria. Ela é a única maneira de o camponês aumentar sua renda, porque se continuar produzindo apenas matéria-prima, ele não sairá da pobreza. Então tem que haver um grande programa que leve a agroindústria para o interior. Este sim é e deve ser um componente do projeto nacional.

- Ao invés do BNDES dar dinheiro para grandes multinacionais como a Nestlé, Parmalat, por que não fazer um grande programa de pequenas agroindústrias?

Não há problema de escala na agroindústria. Não é como uma fábrica de automóvel que exige 30 mil automóveis/dia. Pode ser uma usina de 5 a 30 mil litros, por exemplo. É para isso que precisamos dos milhões dados à Nestlé. Então, que se faça um programa para a agroindústria. E como ela é pequena, de pequeno agricultor, tem que ser sob a forma da cooperativa. Com isso, já elevaríamos o nível de consciência, porque quando o cidadão participa de uma cooperativa ele se transforma em outro cidadão. Participa de assembléia... E tem emprego para o jovem - porque o jovem, filho de camponês, não quer pegar na enxada. E ele tem razão, tem que estudar. Se houver uma política de agroindústria no interior, ele terá emprego como tratorista, analista, trabalhador de informática. Você leva profissões escolarizadas para o meio rural, ao invés de trazer a população do meio rural para as cidades.

Quarto componente do nosso projeto: a educação. Nós temos que democratizar a educação. O dado do censo agropecuário é uma porrada na nossa cara: 30% dos trabalhadores rurais brasileiros são analfabetos; 80% não terminou o ensino fundamental. Isso é inaceitável. A reforma agrária é inviável se junto você não entrar com a escola. É isso que vai libertar as pessoas, politizá-las e transformá-las em cidadãs. Qual é a política atual? Por exemplo, financiar peruas e vãs para tirar o jovens do interior e trazer para a cidade. Isso é uma loucura, uma agressão cultural, econômica e um desperdício de dinheiro. O menino fica duas horas para ir e mais duas para voltar.

Quinto aspecto: mudar a matriz tecnológica do campo. Ao invés de utilizar a matriz atual do agronegócio - já condenada porque baseada só em mecanização intensiva e agrotóxico que não tem futuro (eles mesmos dizem isso) – temos que mudar para uma matriz que consiga aumentar a produtividade do trabalho e também a física, dos hectares, sem agredir a natureza. Genericamente, nós utilizamos o conceito de agroecologia. As pessoas a concebem através de técnicas agrícolas para aumentar a produção do trabalho e física, sem agredir o meio ambiente.

A vantagem do Brasil é que nós temos já um suporte científico acumulado, nas universidades, inclusive, que nos dá base científica para fazer a agroecologia. Recentemente visitei o sítio Catavento, uma área recomendada pela querida Ana Maria Primavesi, uma das grandes cientistas e agrônomas brasileiras a meia hora do aeroporto de Viracopos (Campinas-SP). Lá, 36 hectares produzem hortigranjeiros sem nenhum grama de agrotóxico. É uma maravilha. Todos os dias eles enchem um caminhãozinho com três toneladas de produtos. Portanto, está mais do que provado, nós temos conhecimento científico para esse tipo de produção.

Aproveito, inclusive, para fazer uma denúncia. Em relação aos produtos orgânicos, os supermercados já perceberam que classe média está cada vez mais consciente de que a saúde vem em primeiro lugar. Aí vem a colocação clássica: “produzir orgânico é muito caro”. Isso é mentira. Muito pelo contrário! Produzir orgânico é mais barato. O problema é que como as redes de supermercados estão monopolizadas e já sacaram que o produto orgânico é um nicho de alta renda, colocam a taxa de lucro lá em cima. Fui lá em julho e esse companheiro do sítio Catavento me mostrou: estava produzindo tomate em pleno inverno com uma estufa. Ele estava vendendo para o Pão de Açúcar a R$ 3,70 o quilo de tomate e a dona Maria estava comprando a R$ 17 o mesmo tomate em São Paulo. O supermercado sacou o nicho e colocou sua taxa de lucro lá em cima. Não é mais caro.

Nós podemos produzir em escala, já temos tecnologia. Um dos especialistas que diz isso é o prof. Luis Carlos Pinheiro, ex-presidente da EMBRAPA. Inclusive, ele está nos assessorado no Paraná para produzirmos em áreas 500 a mil hectares leite orgânico sem nenhum tratamento químico de medicamento para as vacas.

- Nesse quadro que você descreve, como fazemos reforma agrária, na base da pressão e da luta, é completamente irracional. Assentar 300 pessoas aqui e mais 300, duzentos km lá na frente, é inviável. E quanto à assistência técnica, estrada, educação na zona rural, melhorou alguma coisa além do crédito para a agricultura familiar? Afinal, a questão da assistência técnica é fundamental na agroindústria.

Há dois aspectos, o primeiro foi o desmonte que o Fernando Henrique fez. No caso da política agrícola foi mais sério, porque eles acabaram com todo o serviço público agrícola. Portanto, pegamos essa herança maldida. No caso da assistência técnica, o governo Lula ampliou os convênios para que o­nGs e cooperativas dessem essa assistência. Resultado: o público atendido aumentou, mas o método continua um atraso.

Nós defendemos que só é possível universalizar e ter uma direção política para a assistência técnica se for estatal.

- Um órgão nacional?

Um órgão nacional, que faça convênios com as EMATERs (empresas estaduais agrícolas de assistência, tecnologia e extensão rural). Contrate os funcionários para esse serviço público pela CLT. Não precisa de concursos públicos, nem de estabilidade. Pode até colocar alguns condicionantes, por exemplo, o sujeito para ser agrônomo da assistência técnica tem que morar no interior, ou não pode morar em cidades com mais de 50 mil habitantes. Hoje, temos mais de 400 entidades conveniadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) voltadas à assistência técnica. Isso a direitona não vê, fica procurando apenas as que são do MST. Porém, isso não resolve o problema, apenas amplia o público. O problema só se resolve com uma assistência técnica pública.

- No que houve melhorias?

Na Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) que voltou a ser uma empresa de abastecimento. A CONAB tinha sido sucateada completamente e sua recuperação é o melhor legado que a gestão Lula deixará, porque ela conseguiu formatar novos programas voltados exclusivamente para a agricultura familiar. Aí, nota-se a diferença. Quando você tem uma empresa pública que atua com uma orientação e quando não tem. Não é para todo mundo, mas para o pequeno agricultor. Então, a CONAB está desenvolvendo vários programas de compra, seja antecipada, seja direta do agricultor. Isso é tudo o que o camponês precisa para trabalhar, produzir e saber que tem gente que irá comprar.

O camponês é produtor, não é vendedor. Quando tem que ir para o mercado está ferrado. Repito, uma empresa estatal com um sistema econômico montado dá certo. Aí tem que ampliar, botar dinheiro em cima, porque todo o dinheiro que você botar na CONAB vira alimento e vai impulsionar esse ciclo.

Combinado com a revigoração da CONAB, temos a lei dos 30% - ou seja, 30% da merenda escolar tem que ser de origem da agricultura familiar. Essas duas medidas, CONAB e os 30%, foram avanços muito grandes. Em terceiro lugar, sem dúvida, o programa Luz para Todos, e espero que até o fim do governo seja praticamente universalizado o acesso à energia elétrica.

Nós também apresentamos dois programas complementares à política agrícola que tiveram pouca ressonância. O primeiro foi o programa de habitação - muito difícil - em que procuramos misturar o INCRA com a Caixa Econômica Federal (CEF). Veja que nem há problemas de recursos. Com 15 mil nossos companheiros constroem casas de dar inveja à classe média urbana. Mas falta desenvolver uma metodologia. Nós precisamos construí-la nos próximos meses para universalizar. Começamos brigando, já no primeiro mandato (do presidente Lula), conseguimos avanços no segundo e acredito que teremos construído umas 40 mil casas. Mas, isso não é nada perto do que significa um programa como esses. A primeira coisa que uma pessoa quer é uma casa com luz elétrica. Isso fixa o homem no campo. Se eu sei que meu primo está pagando aluguel para morar numa favela na cidade, por que vou largar minha casa? Essa é uma condicionante também para os filhos e envolve uma série de questões, auto-estima, saúde etc.

O segundo, também apresentamos um grande programa de reflorestamento. É barato. Nós poderíamos fazer um programa de dois hectares por pequeno agricultor e você refloresta esse país, melhora a qualidade de vida, combate as mudanças climáticas, inclusive, caminhando na contramão do agronegócio que quer acabar com as reservas para desmatar ainda mais. (O reflorestamento) evita essa estupidez que fizeram em Santa Catarina, o­nde não aceitam mais os 20 metros em cada margem de rio.

Se 2 milhões de pequenos agricultores plantarem 2 hectares, serão 4 milhões hectares só aí.

Por ano. Aí o cara começa a perceber a mudança da qualidade e diz: “os outros dois, mais outros dois, eu vou plantar”.

- João Pedro, em relação à educação, não teve nenhum programa novo, pedagogia nova para a educação rural e no campo nesses seis anos e meio (governo Lula)?

Do ponto de vista de concepção, nós tivemos sorte. Os dois mandatos do governo Lula contaram com ministros que tem uma visão diferenciada. Do ponto de vista de filosofia da educação mudou. É outro papo. Estamos negociando com um governo que tem percepção, mas você não consegue universalizar as políticas para o meio rural.

Talvez agora com o novo padrão salarial dos professores, nós tenhamos uma mudança, que ainda não é perceptível. Há professores do Piauí que ganham R$ 75 reais/mês Então, a lei (piso nacional de R$ 950,00 para professor instituído pelo presidente Lula) dará um salto na qualificação dos professores. Também contamos com a metodologia em programas pontuais do Programa Nacional de Educação para Reforma Agrária (PRONERA), mas que não conseguiu universalizar.

- Qual o grande contribuição do PRONERA?

Ele tem uma metodologia, a da alternância - uma conquista nossa - para os jovens do meio rural, seja para filho de assentado, seja para o do pequeno agricultor que ainda não tem acesso, ou para professores do meio rural. Você tem que criar cursos superiores na forma de alternância porque o cidadão não pode entrar no vestibular comum e vir para a cidade todas as noites na escola. O ensino superior no meio rural tem que ser diferenciado.

Primeiro, porque o jovem terá de ir para a cidade todos os dias; segundo, os melhores cursos estão nos municípios acima de 300 mil habitantes; terceiro, se ele resolver todos esses impasses, ao terminar o curso, não volta mais.

Então, o que é a alternância? Você tem dois meses de férias, depois concentra um período com aula, daí volta a ter o trabalho normal como professor ou militante e daqui a três meses volta de novo. Com esse programa – conquistado ainda no final do governo FHC, sob muita crítica, porque diziam que era “picaretagem” – durante a gestão Lula, nós consolidamos uma experiência. Hoje, podemos provar que a alternância não altera a qualidade. Muito pelo contrário, ao concentrar o conhecimento em períodos, você pode trazer especialistas daquela área. A alternância consumou-se como um método.

Agora, o PRONERA hoje é um departamento com só três funcionários dentro do INCRA. Administra recursos alocados para universidades públicas e depende, evidentemente, da boa vontade da universidade. Nós temos que conquistar cada curso. Sem falar que se um promotor elitista entrar na justiça alegando que aquele curso é discricionário, dependendo do juiz federal que está no plantão, o cara dá uma laminar e o curso é suspendido.

Por exemplo, o único curso de direito que temos na universidade de Goiás Velho – feito com vestibular e inclusive com a presença do ministro Eros Grau, na inauguração, público e notório que se trata de uma universidade de qualidade, federal - os alunos fizeram vestibular, submeteram-se ao método da alternância e o promotor resolveu entrar na Justiça. Esse tipo de coisa gera um problemão! Você tem que recorrer, o INCRA tem que entrar. Então, qual é a nossa reivindicação? O PRONERA tem que ser um programa do MEC que consiga universalizar. Aí ninguém precisa ir lá convencer a universidade. Ela já deveria oferecer dentro do seu plano de trabalho, esses cursos na forma de alternância.

Isso nós estamos corrigindo. Quero também citar como um lado positivo, as três universidades que estamos criando agora uma com o MERCOSUL, a Fronteira Sul e a Universidade Federal do São Francisco em Petrolina (PE). A Fronteira Sul, se fosse pela nossa vontade, daríamos o nome de Universidade Federal Guarani, porque o território é o mesmo (das missões indígenas jesuíticas, no Rio Grande do Sul). Seria uma bela homenagem aos nossos antepassados que habitaram aquele território. E ela vai ser a primeira universidade federal com campus em três estados.

As três universidades têm uma vocação rural e estão mais em diálogo com os movimentos sociais. Nós, portanto, estamos insistindo para que na grade delas, em seus cursos, já se incorpore a experiência da alternância - na forma de freqüentar, no tipo de curso. Não pode ser engenheiro agrônomo apenas, mas tem que ser um engenheiro formado em agronomia agroecológica. Na área de educação o que precisaremos fazer é isso. E precisamos de uma campanha séria para erradicar o analfabetismo no meio rural.

  - A oposição conseguiu o número de assinaturas necessário para que fosse instalada a CPI do MST. Como vocês estão avaliando isso?

 

Nós vemos de duas formas: primeiramente, ela está dentro do contexto maior da luta de classes no Brasil. Parte daquela parcela da direita parlamentar brasileira, encrustrada lá no parlamento, que vive querendo criar factóides para antecipar a disputa eleitoral. Como o próprio deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) revelou, o principal objetivo da CPI do MST é provar que o governo vai destinar dinheiro para o MST para fazer campanha para a (ministra) Dilma Rousseff. Isso é ridículo! Mas, ele falou isso na tribuna. Revela, então, as motivações ideológicas dele, ou seja, criar factóides para fazer uma disputa eleitoral e política besta.

Um segundo aspecto na análise dessa CPI, aqui mais da luta de classes, é que eles quiseram peitar o governo quando nós fizemos essa parceria na portaria para mudar os índices de produtividade. Estes precisam ser atualizados por força de lei. A lei agrária determina – a de 1993 – que os índices tinham que ser atualizados a cada dez anos. E os índices atuais que o INCRA usa são de 1975. Uma piada.

Então eles quiseram dar o troco. E contra o governo, não contra nós, para criar um constrangimento, um jogo de troca aí. Tudo contra a possibilidade de atualizar o índice de produtividade. Então se começa a CPI num palanque ideológico contra nós. Evidentemente, sempre que instalam uma CPI fazem o que querem. Todas as entidades que estão eles estão dizendo que tem problemas já foram investigadas pela CPI da s o­nGs e tiveram sigilo quebrado. É como se diz no interior, eles estão vendo chifres em cabeça de mula. Mas, esse é o papel da direitona que quer proteger os seus privilégios.

- Como vocês estão vendo a pesquisa da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) sobre assentamento rural?

  Isso não merece nem comentário. É uma fraude que não tem pé, nem cabeça. Não é nem uma amostra representativa. Entre oito mil assentamentos que há no país, eles (a CNA) escolheram só nove e ao seu bel prazer. Um deles, em Pernambuco, era da época da ditadura, emancipado em 1975.

A única explicação que me vem é que a CNA fez algum jogo de aliança política com o IBOPE, talvez pagando dívidas do serviço que o IBOPE fez na época da campanha da Katia Abreu (senadora do DEM do Tocantins). É a única explicação que nos ocorre para tamanho absurdo. A isso (à pesquisa) todos os pesquisadores sérios reagiram. Isso depõe contra o IBOPE. O que ficou claro é que ele perdeu sua credibilidade. Como ele pode ter se prestado a esse tipo de jogo rasteiro? Pior ainda, divulgaram a pesquisa deles uma semana depois do Censo Agropecuário que não é uma simples pesquisa – no censo, os pesquisadores do IBGE vão em todos os estabelecimentos agropecuários desse país.

A pesquisa da CNA, repito, não tem pé, nem cabeça. De 8 mil assentamentos, pegaram nove. Um total de mil famílias de nove assentamentos, num universo de 1 milhão de famílias em oito mil assentamentos.

- Sobre o episódio em São Paulo, na fazenda do Grupo Cutrale, qual a avaliação que você está fazendo? A mídia conservadora o transformou em escândalo, durante quase uma semana, ou mais, isso ocupou os principais noticiários. Qual a sua avaliação, houve erros na ocupação da fazenda?

A CUTRALE que tem mais de 30 fazendas em São Paulo, somando mais de 50 mil hectares, está em dívida com a Justiça Federal. Aquela área foi comprada de um grilo e eles sabiam. Eles partiram para o risco de comprar uma área grilada, contando com as influências políticas que tem na República do Brasil. Como estão acostumados com o monopólio da laranja, encheram de laranja para consolidar que a área era produtiva etc. Mas toda aquela área o­nde houve a ocupação - nem é só da Cutrale - é o chamado grande grilo (terras griladas) do Monção. A origem desse grilo é de terras que a União comprou em 1910 - portanto houve dinheiro público na compra da área original – para um projeto de colonização para famílias japonesas que não deu certo. Então, as terras foram ficando e houve esse grilo. A ocupação feita agora pelos sem-terra tinha a vontade política, o objetivo de fazer essa denúncia. Nisso a ocupação foi eficaz.

Agora, o fato de terem derrubado laranjais foi um erro dos companheiros que estavam lá. Nós que estamos no meio da briga, entendemos o desespero das famílias que estão há cinco anos querendo ter a terra e sabem que essa terra é grilada. O INCRA mesmo disse: “essa terra é da União”. Então o cara, o sem-terra chega na fazenda e quer plantar feijão. Evidentemente, a direita soube explorar muito bem esse fato, a partir de um erro nosso.

Mais dia, menos dia, iriam pegar qualquer erro nosso e exponenciar ao máximo. É o caso das imagens (exibidas na mídia). Elas foram feitas no dia 28/09, eles pensaram "quando vamos usar?" E esperaram, dias e dias, para fazer essa superexposição. Aquilo não foi uma reportagem sobre a ocupação, apresentada no dia em que ela ocorreu. Fora o fato de aquilo ter sido filmado pelo serviço secreto da PM. Não foi nenhuma reportagem da Globo que estava lá.

Um segundo aspecto: todas as outras imagens de depredação de trator, invasão das casas dos funcionários são mentira. Aquilo é manipulação. Nós os desafiamos publicamente a constituirem uma comissão independente - e com o Ministério Público, se quiser - e a irem lá e fazer a perícia para descobrir desde quando esses tratores estão desmontados. Isso é muito fácil de verificar. Que a comissão pergunte para as famílias (de empregados do grupo Cutrale) se algum sem-terra entrou na casa deles.

Mas, houve o erro, evidentemente, e com esse erro, a burguesia da elite econômica, que tem o monopólio da comunicação, está explorando. E nós estamos pagando caro, porque com isso, criaram o sentimento que levou ao recolhimento e obtenção das assinaturas para a CPI.

- O ex-ministro da Fazenda tucano, Luiz Carlos Bresser-Pereira e o ex-presidente da República, José Sarney, hoje presidente do Senado, apontaram tanto no caso da CPI, quanto na pesquisa dos assentamentos feita pelo IBOPE, por encomenda da CNA , a tentativa de criminalizar o MST. Qual a a avaliação que vocês fazem?

Esse tema da criminalização nós temos que entender direito como é usado. Não é uma coisa que houve, ou que há, numa época de ditadura. Nós já estávamos na democracia quando o latifúndio, para se proteger, iniciou um processo de assassinato e de violência física contra quem lutava pela reforma agrária. Esse período nós já passamos. A violência física diminuiu, até por conta da nossa forma de organização. A criminalização agora é muito mais no sentido ideológico e político. É com o objetivo de desmoralizar quem faz luta social. Esse é o sentido da criminalização do MST e dos demais movimentos sociais.

Daí porque a Rede Globo, o Estadão e a VEJA se transformaram no principal instrumento dessa fase de criminalização. Na fase anterior, eram as armas; agora, o método de tentar nos desmoralizar é através da imprensa. Nós temos tido o cuidado de não criar uma paranóia. Mas, o objetivo desses veículos e daqueles cujos interesses eles representam é muito mais no sentido de deslegitimar e desmoralizar quem faz a luta social. Independente de quem a fizer. Eles também fazem o mesmo quando tem ocupação de sem teto e outras coisas. A tentativa não é de criminalizar só o MST, é criminalizar todos os movimentos sociais.

É, agora, nas manifestações das favelas em São Paulo, nas dos bairros na periferia, contra a PM. Dizem que tudo é baderna. É a maneira de desqualificarem o caráter social e político da manifestação contra a violência da polícia e contra a falta de atuação do Estado. Os jornais só dizem que é baderna e que tem que ser reprimido. Para eles, está tudo certo (a repressão) e ainda registram “infelizmente morreu uma criança”.

O que eles fizeram em relação a áreas em que há despejo, por exemplo, o naquela área em Embu.

Aquilo foi articulado para ter apoio dos meios de comunicação. É um exemplo da polícia para ser aplicado no país depois. Vão calcar no eleitorado de direita, conservador. Dizer que o bom é aquele exemplo do Serra em São Paulo.

- Da governadora Yeda Crusius no Rio Grande do Sul também. A dona Yeda já começou (a governar, em 2007) sem base social. E como ela se posicionou?

  Transformou a Brigada Militar (PM gaúcha) em cão de guarda do capital. Chamou os setores do Ministério Publico fascistas, claramente afinados com sua proposta ideológica e, financiada por grandes grupos econômicos, tentou impor um governo ditadorial. Ela se desmoralizou porque ficou evidente. No governo dela ficou tudo tão centralizado, que ao ultrapassar o limite da corrupção, veio a público e ela não pode controlar. Controla a parte do ministério público estadual, mas não o federal que, inclusive, fez as denúncias (de improbidade administrativa e manipulação de concorrência e licitações) contra ela.

Acho, então, que tanto o artigo do Sarney quanto o do Bresser Pereira foram duas manifestações das mais lúcidas desse campo da elite intelectualizada brasileira, porque eles comentaram a razão dos fatos e não simplesmente a questão ideológica.

- Qual a avaliação política que você faz da atuação do MST nesse período do governo Lula? Houve fortalecimento? O movimento está mais ou menos forte, mais ou menos organizado, com mais ou menos bases e apoio da sociedade?

Nos últimos anos o MST consolidou um acúmulo de forças própria. E foi correta a nossa política em relação ao governo Lula, de manter autonomia política para resguardar a saúde que deve ter um movimento social. Ou seja, nem caímos num adesismo de "agora, como elegemos o Lula..." – toda a base dos sem-terra votou no Lula – nem nos transformamos em puxa-sacos, ou chapas-branca como se diz. Ao mesmo tempo, não caímos no que certos setores da esquerda caíram de “ah, o governo Lula não conseguiu mudar a política econômica, então vamos para a oposição e tudo o que vier do governo Lula é ruim”. Alguns movimentos sociais fizeram essa inflexão. Foram para a oposição. O que nós dizemos é que o papel de apoio ou oposição é para partidos políticos. Movimento social tem que ser autônomo. Seja qual for o governo ou o Estado, temos que ter autonomia.

Nós pagamos caro por essa política. Amigos que queriam que fossemos adesistas, nos chamaram de esquerdistas. E os esquerdistas disseram “não, vocês são muito adesistas”. E difícil, mas nós estamos convencidos de que essa foi a política que, inclusive, nos salvou, porque senão, provavelmente, o movimento teria tido sérios problemas de crescimento. Essa foi a situação.

Agora, em relação à reforma agrária, penso que ela não depende mais do MST. No começo do governo Lula, havia aquela euforia. No início de 2003, em torno de 200 mil famílias foram para acampamentos, porque havia uma vontade política da nossa parte e achamos, "agora com o Lula", que haveria o reacenso da massa. E não houve.

Então, a reforma agrária não depende mais do MST, mas de uma nova correlação de forças na sociedade. Depende de um reacenso do movimento de massas porque a classe trabalhadora que vive no campo é minoritária. Nós não alteramos mais a correlação de forças. Ela só irá ser alterada se houver movimentação social na cidade.

Essa é a nossa tragédia. Nós somos um movimento com unidade, temos clareza política, sabemos o­nde queremos ir, mas não temos força própria suficiente para alterar a correlação. Temos que esperar que a turma da cidade também faça um movimento que reative o movimento de massas e que aí sim, altere a correlação de forças para pressionarmos a realização de uma reforma agrária mais rápida.

Assim, os avanços da reforma agrária não dependem nem do MST, nem só da luta social no campo. Dependem da luta social no Brasil inteiro.

- Como vocês estão vendo a eleição de 2010, na medida em que apoiaram direta ou indiretamente a candidatura Lula, e levando em consideração as conseqüências para a América Latina, se o projeto político que o Lula representa for derrotado no Brasil?

  Não temos feito um debate mais eleitoral. Estamos tendo cuidado com isso. O nosso debate interno ainda é sobre a política geral, a luta de classes e a correlação de forças. Em termos gerais, te respondo pelo que é da tradição da nossa política: primeiro, manter nossa autonomia; segundo, continuar nosso trabalho político e ideológico de estimular – e é assim que nossa militância se comporta – o eleitor a sempre votar tanto em nível federal, quanto estadual, quanto municpal, nos candidatos mais progressistas e que defendem a reforma agrária; terceiro, há uma vontade e decisão política de barrar a volta do neoliberalismo.

Estamos e somos contra os projetos de restauração do neoliberalismo. Sem dúvida, o MST estará nas primeiras trincheiras da batalha. Fazemos questão de ajudar a contribuir para que o neoliberalismo não se restaure aqui no Brasil.

Os jornalistas perguntam: “vocês são da Marina, da Dilma, do Ciro etc”, o que respondemos é que não nos cabe discutir nomes agora. O que temos que estimular na sociedade brasileira é a discussão de um projeto para que ao redor dele as pessoas votem com consciência.

Nós não caímos nos simplismo de vontades eleitorais, ou partidárias, ou por afinidades pessoais. Tem gente que diz: "pessoalmente a Dilma é muito parecida com o Ciro... " Isso não explica nada! Então, até para não cair nesse tipo de reducionismo, nós achamos que o debate político a ser feito daqui a até outubro do ano que vem tem que ser sobre a necessidade de um projeto para o país, para que as pessoas saibam o que está em jogo e que tipo de projeto nós temos que fazer avançar daqui para a frente. Esse é o debate que estamos fazendo entre nós.

Evidentemente, que no caso do Rio Grande do Sul, a batalha será mais dura, porque por todo o uso que fez da Brigada Militar e do ministério publico estadual, o projeto da Yeda (Crusius) foi não só o da restauração do neoliberalismo, mas dos fascistas. Depende de cada Estado, o maior ou menor engajamento da militância. E isso se dará, também, em função das candidaturas estaduais. Os governadores tem muito peso nas lutas sóciais do campo, já que quem nos reprime são as polícias estaduais.

- Como o MST é um movimento com grande inserção internacional, inclusive pela Via Campesina, como vocês avaliam o cenário internacional após dez meses da eleição de Barack Obama e um pouco também sobre a América Latina e a relação com as eleições do ano que vem?

  Nós estamos muito preocupados. Estamos vindo de dez anos de avanços das forças progressistas, mas esse avanço registrado a partir de 1999 com a subida do presidente Hugo Chávez (Venezuela) até hoje, não veio acompanhado com o reacenso do movimento de massas. Talvez, na Bolívia aconteceu, mas nos demais países não. Isso criou uma dificuldade maior. Ao se dar conta de que as massas não vieram para o reacenso, para participar mais da atividade, evidentemente, o império está tentando reestaurar o seu projeto para a América Latina.

Os EUA tinham sido derrotados nesses dez anos. Foram derrotados na ALCA e agora tentam recompor esse projeto, que inclusive, independe da postura pessoal do Obama. O projeto do império é o do capital imperialista, do Estado belicista norte-americano. Há alguns dias, ouvi uma palestra na qual o orador dizia que toda a tentativa da economia norteamericana de sair da crise é aumentando a indústria bélica. Nem é pela saúde, nem por um Bolsa Família, eles poderiam criar uma bolsa família para os pobres norte-americanos e incentivar o mercado interno ou frear as importações da China. Não. A alternativa principal que o capital americano está tomando para sair da crise é o aumento da sua produção bélica e com isso, ter mais armas e munição.

Isso é um perigo, porque eles vão estimular conflitos até para reativar sua economia. Nesse cenário, nós vemos os EUA acelerando, mudando o passo. O caso de Honduras, por exemplo, todos sabemos que a base americana se envolveu, o embaixador se envolveu. No Panamá, idem. Essas bases da Colômbia (seis norte-americanas) são uma ofensa a todo o continente, um caso inadmissível.

Nessa questão concordamos com a avaliação do Chávez, de que é uma tentativa de transformar a Colômbia numa Israel na América do Sul. Sobretudo uma tentativa de levar a uma guerra fria entre a Colômbia e a Venezuela. É o pior dos mundos porque obriga a Venezuela a gastar dinheiro público em armamento, tanque e helicóptero ao invés de comprar casa e construir metrô.

- Então, estimula-se uma guerra fria regional para barrar o processo venezuelano. Pelo que se vê pelo Chile e o Peru, trata-se de reativar as direitonas locais para tentar retomar o controle. Não se sabe até que ponto essa mesma direita americana vai insuflar nossas eleições.

É possível que aqui no Brasil também. Com isso, o tom ideológico aumenta.

 

     

*José Dirceu de Oliveira e Silva - Ex-líder estudantil, ex-ministro, político e advogado

Dictadura Mediática en Latinoamérica

Implicaciones éticas de la concentración de medios y sus vinculaciones políticas y económicas en América Latina

 


Los grandes medios de América Latina padecen una profunda crisis ética por no cumplir con su mandato esencial de informar "veraz y oportunamente". Al sepultar la noción de medios libres e imparciales y el "deber ser informativo" asociado a los orígenes de la prensa, el periodismo perdió su fin ético último: coadyuvar a que el hombre satisfaga la necesidad y el derecho a estar informado para tomar las decisiones en el logro de una "vida buena".

La pérdida de la ética, acelerada por la concentración mediática y estimulada por el modelo neoconservador impuesto en las últimas cuatro décadas, que también pavimentó los excesos de la gran concentración no regulada del poder corporativo y financiero causante de la crisis actual desatada en las naciones desarrolladas, edificó una tiranía mediática, al erigir una "mediocracia" que define y regula casi todos los ámbitos de la vida contemporánea.

La concentración de la propiedad mediática creció en todo el mundo al unísono que el rol dominante de las grandes corporaciones transnacionales que explotan recursos naturales de los países pobres, estimulada por el neocolonialismo post Segunda Guerra Mundial, con el pretexto de ayudar al “desarrollo” de las naciones atrasadas, pero ricas en materias primas, potencial alimentario y combustibles.

Las primeras señales de alerta ante la concentración mediática surgieron hace más de 50 años. En su libro El capitalismo contemporáneo, publicado en 1956 (1), el pensador laborista británico John Strachey hizo esta aserción:

“La diseminación de noticias y opiniones se ha convertido en una rama de los grandes negocios y, como los demás grandes negocios, ha avanzado a la etapa oligopolista. Como tal, se ha convertido en el casi monopolio de un puñado de grandes empresas... Pero, la diseminación de noticias y opiniones no es un proceso productivo ordinario. Está íntimamente ligado a la existencia de la democracia efectiva... Existe un límite a la monopolización de la opinión que la democracia no puede rebasar y seguir siendo efectiva –y ésta será, por supuesto, la tendencia política a favor del gran capital–, entonces es casi imposible que el pueblo haga una elección racional. Estas cuestiones, y no tanto las formas constitucionales, serán las que realmente importen en las luchas políticas de la segunda mitad del siglo [20]”.

Esta voz social demócrata advirtió hace medio siglo que el periodismo “está íntimamente ligado a la existencia de la democracia efectiva...” y que su desnaturalización favorece exclusivamente “la tendencia política a favor del gran capital”. Inspirado por el afán de lucro, hoy se ha convertido en una herramienta al servicio del poder económico, político y militar, nacional-local y global.

Los medios son instrumentales a la conservación de un statu quo de gran concentración de la riqueza y en algunos países latinoamericanos pretende ejercer directamente el poder político, como un partido más, identificado con el poder económico (ya hubo un golpe de estado conducido desde una televisora, Venezuela, 2002). Su objetivo ya no es la información, sino la sustitución de la opinión pública, arrogándose el derecho a ocultar información en un sistema de “noticias” sesgadas, manipuladas, sino prefabricadas, y siempre predigeridas.

El periodismo ya no orienta, ni informa sobre importantes problemas reales de los países, quizás para mantener en la ignorancia a ciudadanos ignorantes que concurren a votar con sus mentes influidas por mecanismos emocionales e hiperrealistas inculcados por los medios.

Aún así, y a contrapelo de la masificación de contenidos estigmatizantes, los electores de varios países de la región terminan favoreciendo la opción más reñida por los medios, y esto significa que el periodismo pierde credibilidad, mientras grandes diarios están en crisis, se achican o desaparecen en el papel, sobreviviendo sólo en Internet. Los lectores comenzaron a dar la espalda y a dejar morir a los grandes diarios que privilegian los intereses de sus dueños y avisadores corporativos, mientras buscan otros destinos para sus pequeños avisos clasificados en la nueva prensa independiente local que emerge por doquier. Simultáneamente, las empresas inventan nuevos “diarios basura”, sin contenido y a veces gratuitos, populacheros y de lenguaje degradado, en un esfuerzo supremo por sobrevivir en su concepto de mercado “populista”.

Desde la segunda mitad del siglo 20 comenzó a advertirse que los grandes medios fallaban a la ética ocultando noticias, o entregándolas incompletas, sesgadas y/o tergiversadas. Se hizo evidente que los medios adquirieron motivaciones distintas a la cobertura genuina de hechos relevantes. En las salas de redacción emergieron reglas no escritas que cambiaron el concepto mismo de la información, en coherencia con los intereses de los dueños, y entronizaron un código tácito de prejuicios y omisiones que condujo a establecer nuevos parámetros, ocultos y no declarados, en la práctica periodística cotidiana de determinar qué es “noticia”, o qué hecho tiene el “méritos” de darse a conocer al público, aunque esos méritos poco tengan que ver con la relevancia de los hechos. Al sustituirse el concepto de “información” por el de “entretenimiento y propaganda”, en esas mismas salas de redacción aparecieron los nuevos mecanismos sutiles de censura y autocensura vigentes hoy.

Vivimos en sociedades en permanente crisis ética y de valores humanos, debido en gran parte a la acción de los medios y a la “herencia espiritual” de la última oleada de dictaduras, más cuatro décadas de efectos implacables del excluyente modelo económico neo conservador. Y las últimas dictaduras militares recibieron en cada país el apoyo incondicional de los grandes medios, sin excepción. Incluso algunos llegaron a fabricar noticias falsas, destinadas a “lavar” desapariciones de personas, o a “crear” incidentes políticos que nunca existieron, eligiendo previamente a “culpables” inocentes, como lo hicieron El Mercurio de Chile y sus periodistas al servicio de la inteligencia de Pinochet. El rol de El Mercurio ha sido tema de libros, documentales y estudios de postgrado, como “Chile inédito”, del estadounidense Ken Dermota (2).

En Chile pocos saben que el dueño de ese diario, Agustín Edwards, fue llevado a los tribunales por dos espectadores jóvenes que en 1987 presenciaban distraídamente una alocución del Papa Juan Pablo II en una visita a Santiago, mientras los servicios de inteligencia detonaban un incidente fabricado por ellos mismos para opacar la visita del Pontífice y crear desórdenes a fin de atribuírselos a la oposición a la dictadura. Al día siguiente, en el diario, ambos estudiantes aparecieron sentados, muy tranquilos, en una foto captada en las graderías antes del incidente, pero con círculos que destacaba sus rostros y una leyenda que indicaba sus nombres y los sindicaba como terroristas autores del desorden. Los jóvenes ganaron el juicio aún bajo la dictadura y Edwards fue declarado reo, pero esa noticia jamás se conoció (3). Sin embargo, continúan haciéndose montajes que tienen como víctimas a indígenas, huelguistas, y otros sectores excluidos, en un periodismo que otorga gran cobertura a la vida social de las elites pero ignora las luchas colectivas mientras no se transformen en “desórdenes públicos”.

Los ciudadanos perdieron el derecho a la información, garantizado en varias constituciones, pero convertido en letra muerta. Y también otros derechos, como la educación pública, convertida en privada o semiprivada motivada también por el lucro. sin atender a las necesidades de mano de obra calificada de los países. Es decir, enseñan deficientemente las profesiones con mayor demanda de mercado, sin atender las necesidades reales de un país. Y la propaganda hizo del periodismo una profesión “exitosa” de alta demanda… aunque desvirtuada.

Los medios repiten el lugar común de que vivimos la "sociedad de la información". Pero éste es otro mito, porque lo cierto es que vivimos en sociedades más entretenidas, pero cada vez menos informadas. No es una “sociedad de la información”, sino de la “infoentretención”, una sociedad infrainformada pero abarrotada de insignificantes “noticias basura” superficiales o “informaciones engañosas” que llenan el espacio arrebatado a las grandes noticias ignoradas o censuradas, tal como describe al “infotretenimiento”, hace un cuarto de siglo, el Proyecto Censurado de la Universidad Sonoma State de California (4).

El desarrollo de las tecnologías trajo grandes impactos postmodernos, como la televisión en colores, la telefonía digital, Internet y ahora, la TV digital. Empero, las novedades tecnológicas sofisticadas no significan mejores contenidos, y tampoco mejor información que cuando sólo existían la radio y unos pocos diarios, de papel pero de verdad. La TV digital requiere una nueva regulación cuyo debate presentaría la oportunidad de democratizar la televisión pero hay presiones políticas, gubernamentales, legislativas y empresariales para que todo quede como está. Nueva infraestructura tecnológica con los mismos protagonistas repartiéndose el millonario botín del mercado publicitario y, además, el ingreso a negocios distintos como telefonía digital e Internet.

Los grandes medios de la región claman por “la libertad de expresión” porque el Senado debate democráticamente un proyecto de ley de radiodifusión denominado Servicios de Comunicación Audiovisual para sustituir una norma de la dictadura (1976-1983), el decreto ley 22.285, de 1980. La iniciativa, que ya fue aprobado en Diputados, no atañe a la prensa escrita, sino a la explotación privada del espectro radioeléctrico, universalmente considerado un bien público, regulado por los gobiernos en todos los países del mundo, incluido EEUU.

Los grandes medios impresos y audiovisuales ocultan hoy demasiadas noticias importantes, y/o tergiversan otras que no pueden eludir, mientras derrochan un valioso tiempo de "salida al aire", o centímetros por columna, en banalidades, frivolidades de la farándula, enfermedades, trasplantes, nacimientos de niños malformados, intimidades de ídolos deportivos, mitos como el “chupacabras”, y toda clase de propaganda cultural y comercial disfrazada de información, o información-propaganda copiada de boletines oficiales de gobiernos o grandes corporaciones que lucran con los recursos naturales. Son las “noticias chatarra” de cada día.

Hay comida y “arte chatarra”, y también periodismo “chatarra”, “televisión chatarra”, “diarios basura” y “noticias chatarra”. “Junk food news” las llamó en 1984 Carl Jensen, de la Universidad Sonoma State (5). El mercado, la pobreza y la modalidad Mac Donald son grandes responsables de la obesidad, pero ésta ya no es sólo física, sino también cultural y mental, en parte por culpa de los grandes medios, como afirma el Dr. Mickey Huff (6), de ese mismo centro investigador. La verdadera noticia agoniza y desaparece el periodismo de investigación, que al perseguir la efímera noticia del día también escarba su trasfondo en la corrupción, las malas prácticas privadas y públicas, y la injusticia social…

La concentración mediática en América Latina


La libertad de expresión se entiende como libertad de empresa que permite vender noticias, ideas, interpretaciones subjetivas de la realidad como un producto más que compite libremente en el mercado. Empero, la concentración monopólica genera desempleo e impide materializar una verdadera competencia”. Los diarios y revistas venden ejemplares, en tanto la radio y televisión abierta llegan gratis a cualquier hogar a través de un bien público, como es el espacio radioeléctrico, pero el verdadero negocio de todos los medios --audiovisuales o escritos-- es la recaudación por publicidad. La TV por cable se paga dos veces porque también falló éticamente al abusar del público emitiendo publicidad en exceso. Si el fin último de los medios es más bien lucrar vendiendo propaganda, es un asunto crucial porque la ciudadanía no tiene posibilidad alguna de criticar los contenidos. No existen mecanismos para que la población imponga el tipo de periodismo que desea consumir, aunque las encuestas indiquen siempre que desea noticias, noticias de verdad.

El “sueño de la libre competencia” es mítico en un periodismo dominado por monopolios, duopolios y oligopolios, que no admiten competencia y destruyen a los competidores, incluso comprándolos para hacerlos desaparecer, como es frecuente. La propiedad mediática en América Latina reproduce la tendencia mundial a la concentración, impulsada por grandes capitales locales y transnacionales y, además, fortalecida por organizaciones como la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), que agrupa a los dueños de diarios de ese EEUU y la región, y la Asociación Internacional de Radiodifusores (AIR), de los dueños de la radio y televisión. Un ejemplo actual de tiranía mediática es Honduras, donde los grandes medios pertenecen a los mismos caciques económicos y políticos que derribaron al Presidente Manuel Zelaya, combatido por el latifundio mediático desde que inició su gobierno, en enero de 2006, a causa de sus inesperadas políticas en favor de los excluidos de esa empobrecida nación (7). Sólo como ejemplo, la televisión de Honduras está controlada por una sola persona, José Rafael Ferrari, partidario acérrimo del golpe también de gran presencia en radio. El comportamiento de la prensa de Honduras, tras el cierre de los pocos competidores críticos al golpe, trae a la memoria el rol jugado por los medios durante las dictaduras militares. No existe ningún código de ética para los dueños de la prensa. Morir es noticia, pero hoy muere la noticia.

“Un pequeño número de empresarios poderosos con influencias comerciales, políticas, y vínculos familiares, son dueños de la mayoría de los medios de comunicación del país", asevera el informe 2008 de derechos humanos de la embajada de Estados Unidos en Honduras (8), emitido cuando todavía gobernaba Bush. Y esta aserción puede aplicarse a todos los países latinoamericanos.

Entre los grandes grupos extranjeros que operan en Latinoamérica se encuentra Prisa, propietario de El País de España, que controla los principales medios de Bolivia y también tiene negocios en Argentina, presencia que quizás explique la artillería editorial del diario de Madrid contra la nueva ley de medios en discusión parlamentaria en Buenos Aires. El grupo, cuyo lema es Información - Educación - Entretenimiento, se define como el primer grupo de medios de comunicación en los mercados de habla española y portuguesa, líder en educación, información y entretenimiento, presente en 22 países, con más de 50 millones de usuarios de sus insignias globales El País, 40 Principales, Santillana o Alfaguara. Penetró el mercado iberoamericano a partir de Brasil y Portugal, y el mundo hispano de Estados Unidos, tiene 13.701 trabajadores repartidos entre Europa y América (9), se jacta de tener un mercado global de 700 millones de personas, en 2008 facturó más de 6.00 millones de dólares --con ganancias 21,6% mayores que el año anterior-- pero la crisis lo condujo a endeudarse en más de 2 mil millones de dólares para seguir a flote.

Grupo PRISA en América

Argentina: radio Continental y Los 40 principales.

Bolivia: diarios El Nuevo Día, Extra y La Razón. Vendió el 25% de la televisión ATB Bolivia al Grupo Akiashi y el otro 70% es del Grupo Brisa, S.A.

Chile: Iberoamericana Radio Chile, 50% del mercado radial.

Colombia: Caracol Radio.

Costa Rica: Radiofórmulas Los 40 Principales y Bésame.

Ecuador: Los 40 principales en convenio con el grupo Radio Centro Internacional.

Estados Unidos: Caracol Miami, W Radio Los Ángeles y la red GLR Networks.

México: 50% de Televisa Radio (radios como W Radio o Los 40 principales) y edición mexicana de Rolling Stone.

Panamá: W Radio y Radiofórmula Los 40 Principales.

En México, Prisa está asociado a Televisa en el consorcio Radiópolis; en Colombia posee la cadena Radio Caracol y participa en el diario El Tiempo; en España controla las editoriales Santillana y Alfaguara, Sogecable TV y más de mil radios en todo el mundo, incluyendo las emisoras más lucrativas de Perú, Chile, Bolivia, Panamá, Costa Rica, y 60 radios orientadas al mundo hispano de EEUU, a través de GLR Networks. En Bolivia, controla la Red de Televisión ATB, el diario La Razón (el principal del país), Extra (publicación popular) y El Nuevo Día

Los medios existen para captar el gasto en publicidad, que en 2007 ascendió a 455.119 millones a escala mundial (10). La publicidad es un mercado abierto y global, que creció 5,19% respecto a 2006, más que el 1,8% de la industria petrolera, aunque los datos de 2008 probablemente mostrarán una severa declinación por la crisis.

En 2005, la inversión en avisaje en 9 países relevantes de América Latina ascendió a 13.600 millones de dólares (11), invertidos principalmente en televisión y diarios, donde Brasil absorbió el 42% (6.000 millones de dólares), México el 22% (3.000 millones), Argentina 10% (1.360 millones), Colombia 9% (1.224 millones), Chile y Venezuela 5% (680 millones), Ecuador 4% (544 millones), Perú 2% (272 millones) y Uruguay 1%, es decir, 136 millones de dólares, cifra 20% menor a los 167 millones de dólares recaudados al año en avisos por RCTV de Venezuela.



En 2007, el liderazgo mundial del gasto publicitario continuó en América del Norte con 41,1% del total (184.054 millones de dólares), seguida por Europa con 29,8% (135.625 millones). América Latina retuvo un 4,9% (equivalente a 22.331 millones de dólares), porcentaje igual al de 2006, mientras Asia exhibe el 20,7% (94.210 millones). En 2007, la región latinoamericana desplazó al continente negro que bajó del 6,1% al 3,47% su participación en la torta publicitaria global.



En 2007, en Latinoamérica se “invirtieron” 22.331 millones de dólares en publicidad. De este año más reciente sólo hay datos pormenorizados de 7 países (Argentina, Brasil, Chile, Colombia, México, Perú y Uruguay), que cubren el 82% de la región con una cifra de 18.026 millones de dólares. Como en el fútbol, el liderazgo sigue en Brasil con una inversión de 9.309 millones de dólares, el 52% de la región; seguido por México con 4.713 millones de dólares, 26%; y Argentina con 1.616 millones, 9%. Los 7 países estudiados en 2007 tuvieron un crecimiento de 35% respecto a 2005, al pasar de 13.372 a 18.026 millones de dólares.

Uruguay lleva la delantera al comparar el gasto en publicidad con el Producto Interno Bruto, que equivale al 1,17% del PIB; Brasil, gasta el 1,13% del PIB; Colombia, 0,82%; y Argentina, 0,80%. México y Perú están por debajo del promedio con 0,56% y 0,44%, respectivamente. El liderazgo del gasto anual por habitante lo tiene Chile, con 55 dólares per cápita, seguido de Uruguay con 52 dólares. El gasto más bajo de la región está en Perú, con 13 dólares por persona. Argentina se ubica en el quinto lugar de los 7 países estudiados con 40 dólares, detrás de México --con 44-- y Brasil, con 49 dólares.



La televisión percibe el 50,85% del total del gasto publicitario, que varía del 66,67% que captura en México --el más alto en la región-- al 42,61% de la TV de Brasil, el por ciento más bajo. Los medios gráficos (diarios y revistas) participan en promedio del 41,03% de la torta latinoamericana, pero sobresalen Brasil, con 54,61%, y Chile, con 50,31%, seguidos de Argentina, con 44,08%. El mercado menos adicto al papel es México, con el 13,88% y un reinado absoluto de la televisión. Brasil y Chile mantienen la hegemonía en diarios, con 44,73% y 50,31%, respectivamente, en tanto Brasil, Colombia y Argentina en revistas, con participaciones que oscilan entre 6% y 10% del mercado publicitario.

La radio es fuerte en Colombia, con 19,83 %; México, con 19,03%; y Uruguay, con 15,85%; dejando atrás al resto de los países que bordean el 3%. El mercado Internet se acerca al techo mundial del 2% del gasto total en publicidad. En resumen, estos siete países gastan en publicidad un 0,82 % de su PBI de 2.195.384 millones de dólares, con una inversión per cápita promedio de 42,13 dólares (12).

En Brasil, el principal actor del mercado publicitario de 9 mil millones de dólares (43% para la TV, 55% para los medios gráficos y 3% para la radio) es O Globo, que controla diarios, televisión y exporta telenovelas. El grupo pertenece a la familia Marinho, asociada recientemente con el magnate mexicano Carlos Slim, quien se enriqueció con Teléfonos de México (TelMex), cuando los privatizó a su favor --en 1990-- el gobierno de Carlos Salinas de Gortari. Slim, que también posee Telefonía Claro, en 2005 adquirió a O Globo el 36,6% de Net Serviços, la mayor compañía de cable, con 1,4 millones de clientes. La hegemonía de O Globo en TV hoy está amenazada por un nuevo gran competidor: Rede Récord, de la pentecostal Iglesia Universal del Reino de Dios, que también produce telenovelas, drena personal experimentado de O Globo ofreciendo mejores sueldos, construyó grandes infraestructuras de estudios con tecnología de última generación y su producción inunda el mercado hispano de EEUU con contenidos en castellano y portugués que distribuye gratis a las grandes estaciones y compañías de cable. La Iglesia Universal fue inspirada por la estructura económico-religiosa de la Iglesia de la Unificación, del reverendo Sun Myung Moon, pero pertenece al neo millonario brasilero Edir Macedo Bezerra, quien controla la red TV Récord, con 25 repetidoras en todo en el territorio, dos periódicos, una revista y 30 emisoras de radio. Esta secta brasilera tiene presencia en 40 países, incluida toda América Latina y algunas ciudades de Estados Unidos, Europa, África y Asia.

Más atrás de O Globo y Macedo siguen las familias Sirotsky, dueña del grupo RBS; Civitas, propietaria de Abril; y Frías, dueña de Folha. También hay cabida en Brasil para los grupos Televisa, de México (donde también participa Slim), y Cisneros, de Venezuela-EEUU. “Cuando las cadenas de televisión en América Latina comienzan a reclamar por la libertad de prensa, están en realidad reclamando por la libertad de seguir lucrando y emitiendo 'su mensaje', bastante alejado de los intereses de los pueblos”, opinó el periodista uruguayo Diego Olivera (13).

México tiene un mercado de avisaje de 4.713 millones de dólares donde la televisión se lleva el 67% de la torta y domina Televisa, beneficiada por una ley le que otorgó perpetuidad a sus licencias. Pertenece a la familia Azcárraga y a Carlos Slim, entrelazados con el grupo de Gustavo Cisneros de Venezuela, otra fortuna mediática de la región con presencia en DirectTV y la cadena hispana Univisión de EEUU. Detrás sigue TV Azteca América, de Ricardo Salinas Pliego, que al igual que Televisa capta accionistas en EEUU. Slim, que además participa en Univisión con Cisneros, llegó a tener la segunda fortuna del mundo en 2008, con 60 mil millones de dólares, pero la crisis lo llevó al tercer lugar en 2009, cuando se “empobreció” en 25.000 millones y su fortuna se “redujo” a 35 mil millones de dólares.

El diario Clarín encabeza el grupo más poderoso de Argentina, de Ernestina Herrera viuda de Noble, aunque se extiende al ámbito multimedia, con televisión abierta como Canal 13, TV cable y numerosos negocios afines. El grupo, con presencia en terceros países y también otros accionistas, como el quebrado banco de inversión estadounidense Goldman Sachs, domina un mercado publicitario de 1.617 millones de dólares en 2007, donde el 53% va a la TV, el 38% a los diarios y el 3% a las radios. En 2008 el gasto en publicidad creció en 37%, situándose en 2.220 millones de dólares, 41,03% para la TV y 35,31% para los medios gráficos (14). (La viuda de Noble, el fundador del diario, adoptó a dos niños de detenidos desaparecidos en 1976, cuestión ventilada en los tribunales que explicaría el poco entusiasmo de Clarín y sus demás medios por las noticias sobre desapariciones y actividades de Madres y Abuelas de Plaza de Mayo) (15).

El diario La Nación, otro gran grupo argentino, pertenece en a la familia Mitre, un apellido de abolengo oligárquico-histórico. Los demás medios están controlados por pocas familias: la cadena Telefé pertenece a Editorial Atlántida de la familia Vigil y a New Corporation, de Rupert Murdoch, nacido en Australia. Todos combaten a coro la nueva ley de radiodifusión que en estos días debate el Parlamento y, aunque no atañe a medios escritos como Clarín y La Nación, sino al espectro radioeléctrico, alegan que “está en riesgo la libertad de expresión”.

En Chile, los medios recaudaron 886 millones de dólares en avisaje en 2007, donde la televisión y los diarios absorbieron el 47% cada sector, quedando sobre un 3% para revistas y algo menos de 3% para las radios (16). El Mercurio capta más de la mitad de la publicidad en diarios, incluidos los avisos del Estado, pese a los reclamos judiciales de la prensa independiente liderados por la revista Punto Final. En 2005, El Mercurio percibió el 48% del gasto del Estado en publicidad en prensa escrita, 9 millones de dólares de hoy, mientras su competidor La Tercera-Copesa absorbió el 29%. Los diarios regionales, revistas y periódicos independientes percibieron apenas el 15%. Pero el gasto público chileno total en publicidad es de 36 millones de dólares, con el 75% para la TV. La Constitución chilena consagra el derecho a la no discriminación arbitraria en el trato económico del Estado, pero también es letra muerta (17).

Entretanto, se debate con sigilo una ley de TV digital, que bajo pretextos técnicos pretende dejar a los mismos protagonistas de este negocio de 412 millones de dólares en 2007, evadiendo la oportunidad de democratizar la televisión con la nueva regulación que requiere la tecnología digital. Y el “sigilo” se debe a que este tema no se refleja con claridad en los medios, en un país donde todos los diarios relevantes pertenecen a dos personas: el 95% a Agustín Edwards, dueño de El Mercurio y otros 22 periódicos, más 35 estaciones de radio, y al banquero y “retail” Álvaro Saieh, de La Tercera, La Cuarta y otros medios de su consorcio Copesa. En televisión abierta actúan grupos locales y extranjeros, como el mexicano Angel González, que posee dos estaciones aunque la ley sólo permite una. Otro canal abierto pertenece a los herederos del magnate Ricardo Claro, quienes conservan la línea editorial de extrema derecha impresa por el fallecido propietario, en tanto otra estación fue vendida por Gustavo Cisneros a Sebastián Piñera, dueño de LAN, candidato presidencial y émulo del italiano Silvio Berlusconi, quien accedió a la política y a la jefatura del Estado Italia desde su red de TV.

En Colombia reina Caracol TV, del magnate Mario Julio Santodomingo, cabeza de uno de los grupos económicos más fuertes, en alianza con la española Planeta, y con una rama en Miami para negocios con Telemundo y su aliada colombiana RTI Televisión (contenidos), con TV Azteca, Univisión y otras. El grupo posee también El Espectador, diario reducido a semanario, y revista Cromo, en tanto Caracol Radio pasó al grupo Prisa. Caracol TV y Radio Cadena Nacional de Televisión (RCN TV), del magnate Carlos Ardila Lülle, controlaban en 2001el 63,8% de la publicidad en TV, 800 millones de dólares (18).

En el mercado colombiano se transaron 1.224 millones de dólares en 2005, pero en 2007 la cifra bajó a 957 millones, 45% para la TV, 28% para diarios, 20% para radios y menos de 7% para revistas. El diario más grande es El Tiempo, el único de circulación nacional, que pertenece a la familia Santos, pero aliada con Prisa, y uno de cuyos jefes periodísticos es... el vicepresidente de la República Francisco Santos, tarea que probablemente le impide trabajar también en la cadena City TV de Bogotá y otros medios impresos de su grupo familiar.

La mezcla nada ética de los poderes económico, político y mediático se da con diferentes matices en cada país y refleja la aspiración de control del pensamiento que persiguen "los dueños" virtuales de las sociedades a través de los medios, sepultando fríamente la noción romántica de medios libres e imparciales. La información no es un producto para transar en el mercado, sino un derecho de todos los ciudadanos que exige responsabilidad social al periodismo. El derecho a la información figura entre los principales artículos de diferentes constituciones (en Colombia aparece en el Nº 20 y en Chile, en el Nº 19).

En Venezuela, los medios corporativos pertenecen a las élites privadas, pero coexisten tres áreas, debido al desarrollo de un sector estatal y otro de medios populares comunitarios. Son privadas las tres principales redes de TV (Venevisión, de Cisneros; Globovisión, de las familias Zuloaga/Ravel; y Televen, de Omar Camero), más el "Canal i", semi nacional. Nueve de los diez diarios privados principales --entre un total de 134-- mantienen el esfuerzo de erosionar al gobierno y sus políticas. El Estado creó un sistema público, con el propósito declarado de servir a los sectores “invisibles” de la sociedad, Latinoamérica y el mundo, integrado por Venezolana de TV, Telesur, ViVe, TVes, ANTV (de la Asamblea Nacional) y otros 6 canales regionales entre un total de 70 estaciones, que incluyen 6 señales de iglesias. El sistema público posee dos emisoras nacionales (Radio Nacional y YVKE Mundial), entre 637 estaciones.

Los diarios privados nacionales más relevantes son El Nacional (de la familia Otero) y El Universal (de la familia Mata), ambos de oposición al gobierno, en tanto Últimas Noticias (de la familia Capriles) mantiene una línea editorial imparcial y es el matutino de mayor circulación (350.000 ejemplares los domingos y más de 200.000 el resto de la semana), seguido de cerca por Panorama de Maracaibo, también imparcial y de circulación nacional. Existen otros dos diarios nacionales proclives al gobierno, Diario Vea y el Correo del Orinoco, de reciente aparición, con el mismo nombre del diario fundado por Bolívar en 1818. Además existen 176 revistas (19).

La televisión llega al 95% de los hogares. Hacia fines de 2006 el espacio radioeléctrico en VHF estaba ocupado en 78% por el sector privado y 22% por el sector público, mientras en UHF el 82% de las estaciones eran privadas y el 18% públicas. La televisión abierta capta el 46% de las horas de atención y la televisión paga, el 17%, mientras el 36% restante corresponde a radio, prensa e Internet. Según datos de 2005, el mercado publicitario ascendía a 680 millones de dólares, el mismo tamaño que el chileno, entonces el 5% del total entre 9 países latinoamericanos estudiados ese año. La TV absorbe el 72% del mercado, los diarios capturan el 23% del gasto en avisos, las revistas el 2% y la radio el 1,5% (20).

La autoridad reguladora no renovó las concesiones de 32 radioemisoras (y dos canales de TV), entre 240 estaciones radiales todavía en revisión (21). La Televisora Venezolana Social (TVes) salió al aire el 28 de mayo de 2007 por la señal abierta canal 2, que había utilizado Radio Caracas Televisión (RCTV), cuya concesión venció y no fue renovada por la Comisión Nacional de Telecomunicaciones.

El esquema de concentración de la propiedad se reproduce en el sistema mediático privado de todos los países latinoamericanos. Empero, varios países poseen por lo menos un canal del Estado. Sólo en Chile, la estación pública no exhibe diferencias con la televisión privada respecto a sus valores de clase, criterios peyorativos y sesgados contra los pobres, e incluso se financia con publicidad. En todo caso, los sectores más progresistas de los países aspiran a fortalecer los medios estatales y al desarrollo de los medios independientes y populares comunitarios, en el espíritu del “Nuevo Orden Mundial de la Información y de la Comunicación” (NOMIC), una propuesta del siglo pasado de las Naciones No Alineadas (NO-AL), aprobada por la UNESCO e incluso por la Asamblea General de la ONU y olvidada tras la aparición del “capitalismo salvaje”, descrito así por el pontífice Juan Pablo Segundo.

Las tres áreas mediáticas de Venezuela (privada, estatal y popular) parecen retomar el camino abierto por la UNESCO en los años 70, con las recomendaciones de la Comisión de Estudios de la Comunicación (CIC), cuyo Informe Final, aprobado en 1980 por la Asamblea General, fue difundido en el documento “Un solo mundo, Voces múltiples”, conocido también como “Informe MacBride” (por el nombre del abogado y periodista irlandés Sean MacBride que presidió la CIC). El informe criticó “el desequilibrio informativo, el carácter mercantil de la noticia, el propio concepto de noticia, la transnaciolización en la propiedad” y proclamó: “Hay que introducir el espíritu democrático en el mundo de la comunicación”. Hoy, estas palabras de la ONU suenan a surrealismo (22).

Los amos de la prensa en EEUU

Lords of the Press, libro publicado en 1938 por el periodista estadounidense George Seldes, fue uno de los primeros dibujos del cambiante mapa de la propiedad de los medios en EEUU, tema relevante para América Latina porque el país del norte controla prácticamente toda la información y el entretenimiento en la región, a través de sus redes de TV, cable, sistemas informativos, agencias de noticias y subsidiarias tipo CNN-Chile, en una virtual metástasis ideológico-corporativa. Por añadidura, el aparato informativo fue copiado en nuestra región del modelo estadounidense y sus parámetros sobre la profesión son los mismos que siguen enseñándose en las escuelas de periodismo, que forman el personal que luego emplearán “los amos de la prensa”. Empero, mantener al día el mapa de la propiedad requiere un esfuerzo constante.

Cuando Dwight Eisenhower le entregó la Casa Blanca a John Kennedy, en 1961, dijo estar preocupado por la creciente influencia del complejo militar-industrial, expresión ya célebre a la que hoy habría que añadirle el término “mediático”, por lo vasos comunicantes entre la industria de guerra y la propiedad de los medios. Cuando Noam Chomsky y Edwards S. Herman publicaron en 1988 su libro Fabricando el Consenso: Economía política de los grandes medios, existían 20 grupos que controlaban la información y el entretenimiento en EEUU. Hoy se han reducido a 10 mega-grupos que difunden su visión del mundo a todo el planeta.

En ese texto y en su difundida conferencia “El control de los medios de comunicación”, en 2007 Chomsky dijo: "El papel de los medios de comunicación en la política contemporánea nos obliga a preguntar por el tipo de mundo y de sociedad en los que queremos vivir, y qué modelo de democracia queremos para esta sociedad” (23). Y el problema radica en qué se entiende por democracia y el rol de los medios. Chomsky añadió: “Una idea alternativa de democracia es que no debe permitirse que la gente se haga cargo de sus propios asuntos, a la vez que los medios de información deben estar fuerte y rígidamente controlados”. Y la pregunta que surge es ¿controlados por quién? La idea predominante es que hoy sean controlados por el mercado, o sea, por sus dueños.

Chomsky sostiene que a EEUU lo dirige una elite de poder emanada del capital financiero, que impone políticas de guerra que resultan aceptadas "por consenso" gracias a una propaganda planificada que usa la caja de resonancia de los medios. Y cita numerosos ejemplos históricos, desde cómo la Comisión Creel, bajo el gobierno de W. Wilson, hizo aceptar el ingreso de EEUU a la Primera Guerra Mundial a una "opinión pública" que antes se mostraba contraria a la acción militar, transformándola en partidaria fervorosa, y hasta histérica, de la guerra, después que las mentes de la gente recibieran exitosamente el virus patriótico-guerrero de la propaganda contra el “peligro alemán”, que años más tarde se transformó en el “miedo rojo” y actualmente en el “temor al terrorismo” que justificó la invasión y ocupación de Iraq y Afganistán. Chomsky y Herman dijeron que la concentración de la propiedad coloca una especie de filtro a los medios para que estos busquen esencialmente obtener ganancias, proteger el mercado del capitalismo, evitar cualquier ofensa a los poderosos y levantar una fuerte oposición a cualquier idea alternativa.

Hoy cientos de millones de estadounidenses, latinoamericanos y ciudadanos de todo el planeta consumen a diario -directa o indirectamente- los productos informativos y culturales de los 10 grupos propietarios de los medios más influyentes:

1) AOL/Time Warner Inc. (CNN, Time, Life, AOL, HBO, TNT, Warner Brothers, etc)

2) Gannett Company, Inc. (USA ToDay, USA Weekend, USA ToDay Sports Weekly, etc)

3) General Electric (NBC, Telemundo, MSNBC, CNBC, electrodomésticos, aviación etc.)

4) News Corporation (Fox Broadcasting Co., Fox News, Sky-Directv, NatGeo, etc.)

5) The McClatchy Company (Miami Herald, Nuevo Herald y 28 diarios más, etc.)

6) The New York Times Company (y otros 17 diarios, más radio, TV y otros negocios)

7) The Washington Post Company (también revistas, TV, cable, y negocios afines)

8) Viacom (CBS, UPN, editoriales, cine, cable, MTV, Nickelodeon y otras 13 empresas)

9) Vivendi Universal (Universal HBO, Cinecanal, revista Rolling Stones y TV productoras)

10) Walt Disney Company (ABC, ESPN, cable, más de 50 radio y TVs, petróleo y gas)

Estos diez grupos (descritos individualmente en Anexo, al final del texto) controlan los diarios nacionales de mayor circulación, como el New York Times, USA ToDay y Washington Post, cientos de radioemisoras y las cuatro cadenas de televisión con mayor audiencia en sus programas de noticias: ABC (American Broadcasting Company, de Walt Disney Co.), CBS (Columbia Broadcasting System, de Viacom), NBC (National Broadcasting Co., de General Electric) y Fox Broadcasting Company (de News Corp.). Quienes manejan estos medios adquirieron una importante cuota de poder que no emana de la soberanía popular, sino del dinero, y responde a una intrincada madeja de relaciones entre los medios informativos y de comunicación y las más grandes corporaciones transnacionales estadounidenses, como la controvertida petrolera Halliburton Co., donde tiene intereses el ex vicepresidente Dean Cheney; el Carlyle Group, que controla negocios de la familia Bush; la proveedora de armamento del Pentágono Lockheed Martin Corp., Ford Motor Co., Morgan Guaranty Trust Co. of New York, Echelon Corp. y Boeing Co., para citar sólo unas pocas. Sus negocios de infotretenimiento abarcan desde el libro, equipos y estadios deportivos, producción y distribución cinematográfica y de TV, incluyendo redes de salas de cine y todo lo que se pueda imaginar (24).

El Proyecto Censurado estableció en 2006 que sólo 118 personas pertenecían a las juntas directivas de los diez grupos “big media”, pero al mismo tiempo ocupaban cargos de dirección en 288 importantes corporaciones estadounidenses y transnacionales. A su vez cuatro de las diez mayores corporaciones de medios tienen en sus juntas directivas a representantes de las más grandes compañías contratistas del ministerio de Defensa:

William Kennard: New York Times, Carlyle Group

Douglas Warner III, GE (NBC), Bechtel

John Bryson: Disney (ABC), Boeing

Alwyn Lewis: Disney (ABC), Halliburton

Douglas McCorkindale: (Gannett), Lockheed-Martin.

Este entramado configura lo que el sociólogo Peter Phillips, director del Proyecto Censurado, describe como el grupo dominante en el poder real de EEUU, por encima de las instituciones y el propio Presidente.

Efectos de la censura

Como nunca, hoy se distrae la atención del público hacia asuntos banales, como el nuevo circo de la farándula, en una neo censura, donde lo nuevo es el disfraz, que refleja efectos como estos:

Agenda cotidiana recargada de seudo “noticias” de relaciones públicas o propaganda comercial sin tapujos presentada como “información”, a solicitud o pago de los interesados, sean políticos, personajes de la elite, agencias gubernamentales o corporaciones avisadoras que venden novedades de tecnología “top”.

Mensajes de publicidad encubierta travestida como noticias que suelen reflejar monótonas parcialidades surgidas de conferencias de prensa, boletines de prensa o declaraciones de personajes capturados a la salida de sus reuniones, del sector público o privado. Día a día nos acosa un molesto de bombardeo de propaganda corporativa e ideológica permanente, por ejemplo “los héroes” de CNN o “ser negro en EEUU”, “se supera la crisis financiera”, pero las cuestiones reales se ofrecen fragmentadas en 20 segundos y poco se entienden aunque se repitan durante la jornada.

Noticiarios de distintas estaciones, con jefes y personal diferente, coinciden en su selección de “cuál fue la noticia” del día, ofreciéndola a menudo con idéntico enfoque parcial, y con los dichos del mismo personaje. El horario de estos informes suele coincidir en todos los canales, con el personaje hablando y simultáneamente, como en una cadena, como si no existieran otras fuentes.

Muere el periodismo de investigación. No se confrontan fuentes, ni se investiga ni reportea, sólo se emiten píldoras en formato de 20 segundos que sólo apuntalan una realidad virtual: “Obama se quedó sólo”, “Chávez es un dictador”, “Ecuador no paga su deuda”, “Cristina empobrece al campo”, “Bases militares en Colombia combatirán al narcotráfico y terrorismo”. No sabemos que está ocurriendo realmente en Paquistán ni cuántos niños y mujeres mata al día el terrorismo aéreo del bombardeo a mansalva de los “abejorros” estadounidenses, aviones a control remoto, sin pilotos como John McCain en Vietnam. Además de noticias fragmentadas, siempre hay una lata “explicación de fondo” de seudo analistas de idéntica óptica, que no son “especialistas” sino propagandistas obedientes a las cúpulas del poder.

Se privilegian las “noticias” de deportes, básicamente fútbol, farándula y criminalidad. La farándula se debate en programas específicos y en antiguos y nuevos diarios consagrados exclusivamente al tema.

La figura del “defensor del lector” nació como una esperanza de poner atajo a los abusos mediáticos pero se convirtió en una tribuna o vitrina de lucimiento personal del “defensor”.

La destrucción de imagen es un hábito sempiterno. Da lo mismo que la víctima sea un presunto delincuente o un mandatario elegido democráticamente, como Morales, Correa, Fernández o Chávez, y también a Obama, el presidente de EEUU, escarnecido por Fox News y en su propio país. Si Wall Street no tiene ética, el periodismo corporativo tampoco.

El lenguaje está recargado de alusiones peyorativas cuando se informa de manifestaciones sociales, conflictos obreros, reclamos de los jóvenes y otros reclamos públicos de derechos.

Los pobres sólo hacen noticia desde la óptica de la caridad o el delito. Ya es habitual que equipos periodísticos acompañen a la policía en redadas nocturnas para exaltarla y en esos escenarios de delito-pobreza, los héroes siempre son los policías, cuya versión final es definitiva.

Se usa un lenguaje radial y televisivo recargado de alusiones peyorativas cuando se informa de manifestaciones sociales, conflictos obreros, demostraciones de jóvenes y otros reclamos públicos de derechos. Los lectores de noticias y reporteros “desde la fuente” empobrecen cada día más la lengua de Cervantes y dan el triste espectáculo de utilizar términos con otro significado, balbucear repetidamente aspectos obvios de la “noticia” y abusar de muletillas huecas repetidas incansablemente.

Reportes vacuos “desde el lugar de los hechos” engañan al público con material de archivo que no se explica, dejando que parezca “en vivo” aunque a veces tenga que ver con otros temas.

Diarios que penetran el mercado popular suelen titular en tapa con noticias importantes de economía y finanzas, pero presentadas siempre en la óptica del interés de la clase adinerada, sin importarles que el grueso público no las entienda ni sospeche la relevancia que para él puedan tener las fusiones de corporaciones y los altibajos de las bolsas, temas de real interés para los inversionistas ricos o los estudiosos de la economía. La información sobre la bolsa de NY es permanente e instantánea, sin qué significa para la gente, ni para qué sirve y qué hace la bolsa. Quizás esos periodistas tampoco lo sepan: sólo repiten propaganda sistémica, afirmando que lo peor de la crisis ya pasó porque la caída es cada vez menos dura respecto a las previsiones de aquellos “expertos” que son sus “fuentes”, es decir, siempre los mismos gurúes o propagandistas interesados, no imparciales, dueños de la verdad por encima del resto de los mortales.

Potenciales salidas y esfuerzos

La falta de libertad de expresión condujo en muchos países a la saludable aparición del libro periodístico y la proliferación de documentales, así como la explosión de medios alternativos en papel e Internet, mientras agonizan los grandes diarios. La red comenzó al alcance de muy pocos, aunque hoy se ha extendido al 2% del “mercado mundial” y sigue creciendo. Y también los diarios los lee una minoría, aparte que mienten sobre su circulación real, ocultan su verdadero tiraje y no hay certificación confiable de su cantidad real de lectores. Es saludable la masificación de Internet en curso en Uruguay, con el Programa Ceibal, que otorga a cada escolar una computadora conectada. Hay países con mayor conectividad que otros pero con fines comerciales de entretenimiento, como ocurre con los teléfonos celulares de última generación que pueden recibir televisión digital pero con los mismos criticables contenidos.

El derecho a la información, requiere la responsabilidad efectiva del Estado, como otros derechos (educación y salud). La TV y los medios no deberían ser “el opio del pueblo”. Como meta a corto plazo aspiramos a que los grandes medios privados coexistan con medios públicos y medios alternativos e independientes. Se requiere resucitar el llamado al pluralismo informativo planteado hace cuatro décadas por el llamado Informe Mc Bride, de la UNESCO, y aprobado por la Asamblea General de la ONU en 1980. Debemos recuperar el ethos periodístico. Anexo:

Los 10 grandes grupos de EEUU


1) AOL/Time Warner Inc. CNN Revista Time CNN Radio Warner Brothers AOL Court TV HBO TNT Kablevision (Hungría) New York 1 News Road Runner Time Warner Cable Equipo Bravos de Atlanta (Béisbol) Cartoon Network Entertainment Networks TBS Superstation TNT & Cartoon Network Asia Pacífico Turner Classic Movies (TCM) Turner Entertainment Turner South Life Money 70 revistas más Sellos grabadores: American Recordings Asylum Atlantic Classics The Atlantic Group China Time Life Books Back Bay Books Book of the Month Club Bulfinch Press Children’s BookoftheMonth Club Crafter’s Choice History Book Club 20 empresas editoras Otras corporaciones

2) Gannett Company, Inc. USA ToDay USA Weekend USA ToDay Sports Weekly USA ToDay Information Network Gannett News Service: Diarios Locales Army Times Publishing Co. (Para militares): Army Times Navy Times Navy Times Marine Corps Air Force. Times Gran Bretaña: Newsquest plc Daily Newspapers Bolton Evening News Daily Echo (Bournemouth) +20 periódicos TV en Arizona: KNAZ (Flagstaff) KMOH (Kingman) KPNX (Phoenix) TV en otros estados Cincinnati Enquirer Classified Ventures Com LLC con Knight Ridder - New York Times Company - Times Mirror - Washington Post Co. Tribune Company Central Newspapers Co. McClatchy Co. Space.com (con GE), etc.

3) General Electric NBC News Telemundo Electrodomésticos Aviación Sistemas industriales MSNBC, CNBC Asia y Europa 32% de Paxson Communications y red PAX TV Telemundo Communications Group Sony Liberty Media Corp Bravo Network NBC Universal (con Vivendi Universal) Universal Pictures 3 canales de cable 15 estaciones de TV 14 estaciones Telemundo Contenidos de televisión: NBC Universal Television Studio NBC Universal Television Distribution CNBC MSNBC Bravo Mun2TV Sci-Fi Trio USA Universal Pictures Universal Parks & Resorts Paxson Communications (30%) GE Aircraft Engines GE Commercial Finance GE Consumer Products GE Industrial Systems GE Insurance GE Medical Systems GE Plastics GE Power Systems GE Specialty Materials GE Transportation Systems.

4) News Corporation: Fox Broadcasting Company (subsidiarias en todo EEUU) Fox News Fox Sports National Geographic Channel Sky-Directv TV Guide The Weekly Standard Inside Out 20th Century Fox Fox Television Studios Fox Searchlight Pictures Harper Collins, Greenwillow Books +20 editoriales de libros. EEUU: The Wall Street Journal New York Post.

Inglaterra: News of the World News International Sun Sunday Times The Times Australia: 20 diarios 43 diarios ent re EEUU, Reino Unido y Australia 50 estaciones de cable y TV abierta en EEUU, Europa y Australia

Dueño: Rupert Murdoch, 78 años, quien habita un pent house de 44 millones de dólares (2004), dos plantas, 20 habitaciones, 2.500 m2 más 1.250 m2 en terrazas, gasto mensual en mantenimiento: 21.500 dólares, en 5a Avenida de Nueva York - Central Park.

5) The McClatchy Company

Miami Herald Nuevo Herald 30 diarios +50 periódicos no-diarios y gratuitos. Periódicos y publicaciones Internet. Compra diarios “competidores” para hacerlos desaparecer McClatchy Interactive (contenidos y herramientas de software) Real Cities (http://www.RealCiti es.com) Avisos clasificados (Cars.com y Apartments.com) .

6) The New York Times Company

TNY Times The International Herald Tribune The Boston Globe +15 diarios a través del país Radio & TV Emisora WQXR-FM 8 estaciones de televisión en diferentes ciudades y dos radio en Nueva York Negocios por US$ 3.300 millones en 1996 Emisora WQXR-FM 30 sitios Web: NYTimes.com Boston.com About.com. Participa en Boston Red Sox NESN Discovery Times channel (50%).

7) The Washington Post Company

The Washington Post Newsweek Los Angeles Times Magazines TV Cable Información electrónica y educacional Portal Washingtonpost Newsweek Interactive (WPNI) Washingtonpost. Com Newsweek.com Slate and Budget Travel Online Express El Tiempo Latino The Gazette Southern Maryland Newspapers The Herald (Everett, WA) Post-Newsweek Stations (Detroit, Houston, Miami, Orlando, San Antonio y Jacksonville) Cable ONE: medio oeste, oeste y estados del sur Kaplan, Inc. Washington Post News Service Bowater Mersey Paper Company (Industria papelera)

Estaciones de TV en Detroit, Houston, Miami-Ft. Lauderdale, Orlando, San Antonio y Jacksonville Negocios Educación Cable One (en Phoenix, AZ) Post Newsweek Tech Media Newsweek Productions Government Computer News GCN.com Kaplan, Inc. Post Newsweek Tech Media.

8) Viacom

CBS UPN Editoriales Producción-Distribución Cine Cable MTV Nickelodeon +13 compañías Producción-Distribución TV Cadena Inifinity Broadcasting (cientos de emisoras) Blockbuster (cine envasado) Parques recreativos: Paramounts Parks Famous Players United Cinemas International Famous Music 50 Estaciones de cable y T V abierta

Contenidos: Spelling Televisión Big Ticket Television King World Productions

Cine: Paramount Home Entertainment Paramount Pictures

Libros y revistas: Simon & Schuster Pocket Books Scribner Free Press Fireside Touchstone Washington Square Press Archway Minstrel Pocket Pulse 9) Vivendi Universal

Universal Studios Universal Pictures HBO Cinecanal Universal Televisión Group Multimedia Entertainment USA Networks Inc. Revista Rolling Stones Time Warner

Editoriales Larousse Nathan Anaya Música: Universal Music Group Cine: Cinema Internacional Corp. Cineplex Odeon United Cinemas Internacional Vivendi Universal

Telecomunicaciones: Vivendi Telecom Intenational Cegetel

Fondos de capital: Viventures

Salas de cine: Cinema International United Cinemas International Cineplex Odeon

Música: Duet (x Yahoo! & Sony)

Distribución de Agua: Vivendi Environnement (Nº 1 en el mundo)

Parques, recreación, retail: Universal Studios Hollywood CityWalk Universal Orlando Resort Hard Rock Hotel Portofino Bay Hotel Royal Pacific Resort

Universal Studios Japan Universal’s Islands of Adventure Universal Studios Theme Park Hotel Port Aventura Universal Mediterránea (España)

Universal Mediterránea Theme Park WetnWild Orlando Spencer Gifts Y mucho más

10) Walt Disney Company

ABC + 100 estaciones Radio y TV Cable: ESPN The History Channel + 50 empresas Disney Sid R. Bass (Petróleo y gas natural) TV en Chicago, Nueva York y + 50 ciudades Cable A&E Television ABC Family The Disney Channel E! Entertainment Classic Sports Network ESPN2, ESPN News ESPN Now ESPN Extreme + 50 empresas internacionales de TV & Cable Retail: The Disney Store

Libros: Hyperion Books Miramax Books Walt Disney Company Book Publishing

Revistas: Magazine Subsidiary Groups ABC Publishing Group Disney Publishing, Inc. +20 empresas en EEUU y Europa.

Multimedia: Walt Disney Internet Group ABC.com ABC Internet Group ABCNEWS.com Disney.com + 12 compañías

Parques: Disneylandia Disney Worl (EEUU y Europa) Software Juegos de Video

Cine: Buena Vista Home Entertainment Buena Vista Home Video Buena Vista Internacional Caravan Pictures Hollywood Pictures Miramax Films

Touchstone Pictures Walt Disney Pictures Negocios de Música Teatro Deportes: Equipo de Hockey Etcétera
(el segundo diario, de Santa Cruz de la Sierra).
Notas:

1) John Strachey (ministro de Guerra en 1950-51), El capitalismo contemporáneo, 318 pp, Fondo de Cultura Económica, México, 1956.

2) Ken Dermota, Chile inédito, Ediciones B, Santiago, 2002. Según esta investigación un grupo de economistas colaboradores y amigos de Pinochet utilizó el control del banco estatal para instalarse ellos mismos en el negocio de los periódicos, apropiándose de los más importantes e incursionando en otros negocios. Con dineros fiscales salvaron de la quiebra a los mismos periódicos que se niegan a investigar la participación de sus propietarios en estas operaciones. Lo dueños de esos medios controlan la práctica periodística y manipulan la percepción del público para perpetuar los ideales de la dictadura aún bajo democracia. La investigación revela que algunos de esos propietarios de medios participaron en el desmantelamiento del sistema universitario público y luego redactaron las leyes que les permitieron levantar sus propias universidades privadas y establecer sus propios centros de estudio e investigación, cuyos hallazgos son difundidos por sus periódicos. Estos medios ocultan la información que puede amenazar sus inversiones e intereses ideológicos. Sus dueños no son simples “fundamentalistas de mercado” sino que crean distorsiones en el mercado para su propio provecho económico mientras se esconden tras la cortina de humo del libre mercado. Los poderes fácticos de Chile siguen proveyendo “la verdad definitiva” (social, moral y económica) usando los medios de comunicación para acallar la disensión política de las minorías, ambientalistas y sindicatos.

3) Documental El Diario de Agustín, de Ignacio Agüero y Fernando Villagrán, 2008, Chile. Más información en http://www.eldiariodeagustin.cl/

4) Censored 2010, Project Censored, Ed. Seven Stories, NY, 2009.

5) Censored 2010, op. cit.

6) Censored 2010, op. cit. Ver http://www.ciespal.net/mediaciones/index.php/de-la-prensa/139-ique-es-el-infotretenimiento.html 7) Más información, a modo de ejemplo: http://www.argenpress.info/2009/07/zelaya-los-enfrento-temprano-los-duenos.html http://www.revistapueblos.org/spip.php?article1681

8) Ver http://www.spanish.honduras.usembassy.gov

9) Más información en http://www.rebelion.org/noticia.php?id=68301

10) Informe de Zenith Optimedia/Informe IAA (Internacional Advertising Association).

11) Asociación Argentina de Agencias de Publicidad: http://www.aaap.org.ar/

12) Fuente: Asociación Argentina de Agencias de Publicidad: http://www.aaap.org.ar/mail-inversion/images/texto02.pdf

13) Ver http://www.barometro-internacional.org/index.php?option=com_content&task=view&id=137&Itemid=

http://alainet.org/active/show_author.phtml?autor_apellido=Olivera&autor_nombre=Diego+

14) Asociación Argentina de Agencias de Publicidad: http://www.aaap.org.ar/inversion_2008/texto_inversion_publicitaria_argentina_2008.pdf

15) Ver http://www.perfil.com/contenidos/2007/12/08/noticia_0021.html

16) Asociación Chilena de Agencias de Publicidad (Achap), http://lta.reuters.com/article/businessNews /idLTASIE4AH27V20081118 http://www.publimark.cl/interior.asp?id=203 17) http://www.observatoriofucatel.cl/avisaje-estatal-la-batalla-del-periodismo-independiente/

18) Mauricio Nieto, “La Industria de la TV en Colombia, Análisis económico, financiero y de mercado”, CNTV-EAN , Bogotá, 2002; y María Teresa Herrán, “La Industria de los medios Masivos de Comunicación” (1991), Cede, Universidad Nacional y Fescol.

19) Ernesto Carmona, Los Dueños de Venezuela, Ed. Question, Caracas, 2004. http://www.logoslibrary.eu/pls/wordtc/new_wordtheque.w6_context.more_context?parola=0&n_words=1&v_document_code=70990&v_sequencer=5100&lingua=es

20) Ver http://www.guia.com.ve/noti/47827/industria-publicitaria-observa-panorama-nada-alentador.

21) http://www.fevap.com/site/det_noticia.php?id=41

22) UNESCO, Un solo mundo, voces múltiples, Paris-México, 1980.

23) Texto completo en Red Voltaire: http://www.voltairenet.org/article145977.html

24) Para mayor información ver por ejemplo http://www.juliaardon.com/2007/05/los-amos-de-la-prensa-por-ernesto-carmona/ y http://www.radioevangelizacion.org/spip.php?article593

Fuente: www.ProjectCensored.org (Exposición de Ernesto Carmona (Chile) en el Seminario Internacional “Periodismo, Ética y Democracia” de CIESPAL (Centro Internacional de Altos Estudios de la Comunicación para América Latina), Quito, Ecuador, 20 al 23 de octubre, 2009).

http://www.argenpress.info/2009/10/implicaciones-eticas-de-la.html

 

Repressaô brutal Em Rio Grande Do Sul - Brasil

Brasil: La policía judiciaria (civil) está invadiendo el local de la Federación Anarquista Gaúcha [Seguimiento]



5ª, 29 de outubro de 2009, a partir das 16 hs

Solidariedade com a Federação Anarquista Gaúcha - FAG

Neste exato momento a Polícia Civil do RS sob o comando da governadora Yeda Crusius promove diligência na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG). O mandado de segurança do governo busca apreender material de propaganda política contra o governo acusado de corrupção. Os cartazes abordam o empréstimo junto ao Banco Mundial e o assassinato do sem-terra Eltom Brum. Este ato é pura provocação do Executivo gaúcho, atravessado por atos de corrupção e situações até hoje sem explicação, como a morte de Marcelo Cavalcante em fevereiro desse ano. Conclamamos as forças vivas da esquerda gaúcha para reagirmos de forma unificada contra mais esse desmando.

Solidariamente, Federação Anarquista Gaúcha

www.vermelhoenegro.org/fag


Material de propaganda e CPU da FAG apreendidos
NESSE MOMENTO, 29 DE OUTUBRO 2009, 17.31 TEMOS COMPAS DEPONDO NA 17a DP, LOCALIZADA NA RUA VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA, 1500, PERTO DA RODOVIÁRIA DE PORTO ALEGRE. A POLÍCIA CIVIL APREENDEU MATERIAL IMPRESSO, CHAPAS DE CARTAZES E INCLUSIVE A CPU DO COMPUTADOR DA SEDE. ISSO SE TRATA DE UMA CONSPIRAÇÃO OFICIAL PARA ATACAR UMA DAS FORÇAS DA ESQUERDA NÃO PARLAMENTAR E COM BASE SOCIAL REAL NO RS!

ERA DE SE ESPERAR UMA REAÇÃO COMO ESSA, EM FUNÇÃO DA FAG SEMPRE HAVER ATUADO COM MODÉSTIA MAS TENACIDADE, SENDO DAS MAIS AGUERRIDAS EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS NA DEFESA DOS INTERESSES E OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DO POVO GAÚCHO. VAMOS FAZER UMA DENÚNCIA PÚBLICA E PROVAR PARA AS CLASSES OPRIMIDAS DO RS A NATUREZA DESSE ATAQUE VIL SOB ORDEM DE UM GOVERNO ACUSADO DOS MAIS GRAVES CRIMES.

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA!

Uribe Espía a Latinoamérica

Colombia considera "paises hostiles" a Cuba,Venezuela y Ecuador


Toda la información, destapada hoy por el Gobierno de Venezuela, tenía el visto bueno del pequeño dictador Uribe y su ministro de Defensa. Pagaba la CIA, e investigaba la D.A.S.(servicios secretos de Colombia) ¿Cuándo los países espiados harán una declaración pública
declarando justa  y legítima, la lucha armada de la guerrilla colombiana que combate contra esos criminales y su narcoestado?

Caracas, 29 oct (PL) El ministro del Interior de Venezuela, Tareck El Aissami, presentó hoy un documento del gobierno colombiano que demuestra sus actividades de espionaje para desestabilizar este país y el proceso político encabezado por el presidente Hugo Chávez.

De acuerdo con el funcionario, el texto obtenido responde a investigaciones internas en Bogotá por una presunta fuga de información, pesquisa que aporta interioridades en torno a las labores de inteligencia y subversión contra Venezuela, enmarcadas en un proyecto llamado Falcón.

Se trata de un documento oficial del Departamento Administrativo de Seguridad (DAS), entidad subordinada directamente al mandatario colombiano, Álvaro Uribe, en el cual agentes entrevistados reconocieron ser parte del citado programa de espionaje, aún activo, precisó.

El Aissami mencionó entre las prioridades de Falcón la recopilación de datos militares sobre la Fuerza Armada Nacional Bolivariana, en particular la capacidad operacional y el equipamiento de las milicias populares.También busca elementos relacionados con el presidente Chávez, funcionarios, líderes y diplomáticos, agregó.

Según el titular, otro interés de los servicios de inteligencia del vecino país responde a la captación de dirigentes opositores, a quienes calificó de traidores a la patria.

La prueba presentada ante la Asamblea Nacional complementa la reciente detención de dos agentes del DAS y la revelación realizada por el ex jefe de Información de ese cuerpo con sede en Bogotá Rafael García sobre la existencia de planes desestabilizadores contra Venezuela.

Durante su exposición en el Parlamento, El Aissami advirtió que las actividades de espionaje se extienden contra Cuba mediante el plan Fénix y a Ecuador por intermedio del proyecto Salomón, siendo este último el desencadenante de las pesquisas por el presunto escape de datos.

"Estamos ante elementos probatorios y evidencias irrefutables de una nueva agresión colombiana contra nuestro pueblo y otras naciones de la región", afirmó.

El ministro venezolano aseguró que la Agencia Central de Inteligencia de Estados Unidos está detrás de tales actividades, a través de su embajada en Colombia

http://jmalvarezblog.blogspot.com/

Capitalismo y Mafia en Río - Brasil

El capitalismo salvaje y la guerra urbana en Río de Janeiro

 

Bruno Lima Rocha *


Adital -
El sábado 17 de octubre el Brasil recordó de golpe que su antigua capital, con más de 6 millones de residentes, es un conjunto de territorios entrecruzados por la disputa de dominio y soberanía de poderes formales y paralelos. El ataque ejecutado por narcotraficantes que acabó con el abatimiento de un helicóptero de la Policía Militar del Estado de Río de Janeiro (PMERJ), en el Cerro de los Monos (Morro dos Macacos), en el barrio de Vila Isabel (tradicional reducto del samba), en la ciudad de Río de Janeiro, no es una excepción a la regla de lo cotidiano de cariocas (habitantes de la capital del estado) y fluminenses (residentes en el antiguo Estado del Río). En el Gran Río, que sobrepasa los 10 millones de habitantes, se vive una situación cotidiana de no-gobierno, en espacios geográficos donde el Estado entra sólo en forma negociada o a la fuerza. Tal como afirman la mayoría de los especialistas y reporteros de las páginas policiales, derrumbar un helicóptero implica un aumento de escala y no de la naturaleza del conflicto. Veamos.
 
Breve retrospectiva de la historia que se repite
 
La invasión de morros dominados por redes de pandillas rivales, que los medios corporativos insisten en llamar con el eufemismo de "facciones criminales" (como si eso resolviera algo) es una costumbre en la ciudad. Desde el final de los años ’70, dos redes de pandillas se organizan por lazos de coacción y coerción de dentro del sistema penal y llevan sus lealtades y asociaciones a los morros de la ciudad. Las más conocidas, el Comando Rojo (CV) y su eterno rival, Tercer Comando (TC), ya se escindieron en decenas de fracturas, cuya rama más conocida es la facción "Amigos de los Amigos" (ADA). En el inicio de los años 2000, la acción de para-policiales evolucionó en forma organizada y con el beneplácito de las fuerzas del "orden" (protagonizadas por el Comando Azul, el color del uniforme de la PMERJ), Se instauró el régimen de "milicias" (para desgracia de los milicianos de la Revolución Española de entre otras formaciones de tipo pueblo en armas), dominando áreas de comunidad de la  favela.
 
El uso de camiones-flete, aplicando tácticas de tipo "caballo de Troya" es empleado desde la guerra en el Complejo de la Marea (conjunto de 13 favelas, de más de 100 mil personas, localizado al lado de los trechos tomados a la Bahía de Guanabara, al lado del aeropuerto internacional), entre 1999 y 2000, cuando veteranos de la guerra civil angolesa operaron al servicio de la pandilla TC contra una de las bandas del Comando Rojo. El desvío de armas de uso exclusivo de las Fuerzas Armadas (FFAA) es otra constante, una vez que Río sigue concentrando cuarteles militares y absorbiendo en ancha escala la mano de obra temporal de jóvenes en edad de servicio militar obligatorio. Al ser dispensados de las FFAA como reserva no-remunerada, algunos tienen un nivel técnico profesional, sirviendo en unidades operacionales como la Peleada de Infantería Paracaidista (BPqd). Al salir de la caserna, muchos son empleados como soldados del narcotráfico. Por distintos motivos, Río sigue siendo un centro militar de peso, aunque la zona deflagrada para control de fronteras no esté en la antigua capital. ¿Qué genera ese absurdo? La costumbre de militarizar la ciudad, en convivencia de vecinos entre cuarteles y locales bajo otros mandos que no son los del Estado de Derecho del régimen de democracia liberal burguesa. Los efectos de tamaño desvarío se notan en la presencia de armas de grueso calibre en manos de menores de edad, con poca o ninguna escolaridad y mínima expectativa de vida.
 
Ya el pasaje de caravanas de hombres armados en una ciudad como esa, revela algo de mayor profundidad. Con la tecnología de GPS, la instalación de radares y los agrupamientos tácticos móviles, es prácticamente imposible que los "tranvías" no sean notados. Los "tranvías" son formados por caravanas de automóviles, camionetas y hasta camiones-flete (del tipo camiones de cambio de larga distancia) No se puede afirmar de forma irresponsable que hubo  complicidad en la tentativa de invasión del último fin de semana (sábado día 17 y domingo 18 de octubre), pero si hubo como mínimo, negligencia. 150 hombres armados no transitan en la segunda ciudad más importante de la 11ª economía del mundo sin ser notados por los profesionales de la seguridad pública. Ahí hay un problema de fondo, incluyendo el aprovechamiento político de las operaciones policiales y la fragmentación de las fuerzas de seguridad, tanto o más responsables por la guerra de favelas que las redes de pandillas que los medios corporativos insisten -equivocadamente- en denominar "crimen organizado".
 
Raíces del problema
 
No es por falta de militarización que la ciudad vive bajo pánico. Hay militares de sobra, comenzando por el absurdo de tener como policía ostensiva a una fuerza descendiente del Guardia Real de Policía (nacida en 1809) y cuya obra magistral fuera despejar a los habitantes de Río para alojar a los que salieron disparados (miembros de la familia real portuguesa que cruzaron el Atlántico corriendo de miedo ante la invasión de la Francia napoleónica). En el Brasil, vivimos bajo el segundo absurdo de tener a la policía judicial (la Civil) coexistiendo con una fuerza castrense con patentes y jerarquías semejantes a la infantería del Ejército. Esto tiene que resultar errado, porque está hecho para crear injusticia y violencia estatal.
 
La convivencia e influencia de militares profesionales y conscriptos con el universo policial y el de los bandidos, suministra la representación ideológica que motivará a la carne de cañón que usa uniforme. No por casualidad, el famoso y temido Batallón de Operaciones Especiales (BOPE) de la PMERJ realiza sus primeros entrenamientos dentro de la unidad de los Toneleros, batallón de élite de la Fuerza de Fusileros de Escuadra del Cuerpo de Fusileros Navales. En ocasiones recientes, llegaron a ensayar el empleo ostensivo y permanente de la BPqd para la seguridad en Río. El desastre sólo iría a aumentar.
 
Siendo directo, la verdad es que tanto la capital como su Región Metropolitana viven un estado cotidiano de guerra civil, motivada por el control clásico de territorio, lo que incluye a su población, sus recursos y su propio terreno. El descalabro viene de antes, de la década del ’50, cuando los esfuerzos de urbanización no tuvieron en cuenta a los habitantes de los morros. Los morros, nacen a finales del siglo XIX y aumentan su población con los despejos masivos de conventillos y cuyo ápice fue la Revuelta de la Vacuna (1904). Durante el periodo de la dictadura militar (1964-1985) nada se hizo para mejorar las condiciones de vida de aquellos que sobrevivían en condiciones precarias -con desempleo estructural- y con una forma de vida razonablemente autónoma del Estado en sus distinguidos regímenes. Y, para desesperación colectiva, la situación de control territorial por parte de pandillas organizadas en torno a la baja economía del tráfico ¡se agrava desde 1983!  En mi parecer, esta es la raíz de todos los problemas de orden público de la "Ciudad Maravillosa".
 
Entre la guerra urbana y la lucha por derechos civiles básicos
 
José Mariano Beltrame es delegado de la Policía Federal (órgano de elite, civil e investigativo) y actual Secretario de Seguridad del Estado de Río. Correctamente, como manda el manual de la Escuela Superior de Guerra y otros libros-base, quiere recuperar la soberanía estatal sobre manchas de territorio urbano. El problema es de legitimidad, una vez que el derecho colectivo no es respetado por los agentes que deberían ejercerlo. Me explico: Si un habitante de favela llama el número 190 (discado de emergencia en Brasil) y llama el auxilio policial para proteger su integridad física, es casi imposible que un vehículo oficial suba el morro en su auxilio. A la vez, en la zona sur carioca -área del metro cuadrado más caro del país- la presencia de policiales ostensivos es superior a la recomendada por la ONU. Se trata de dos pesos y dos medidas para quienes viven, literalmente, codo con codo.
 
Cuando el Estado no reconoce de hecho la ciudadanía integral de más de 2 millones de personas, no tiene ninguna condición para actuar como represor. La presencia física de fuerzas policiales debería ser obligatoriamente acompañada, o por lo menos precedida, de un esfuerzo descomunal para integrar estas regiones a la ciudad. Río necesita de una especie de Plan Marshall, como el aplicado para reconstruir la Europa devastada por la 2ª Guerra Mundial. No es lo que ocurre. Entran y salen gobiernos estaduales y todas las medidas son paliativas y pirotécnicas. La Unión solamente repasa presupuestos y poco cuida de las prevenciones necesarias, como en el caso del tráfico de armas y de drogas. No hay ni fábrica de armamentos y menos aún plantaciones de hoja de coca, papola o marihuana en los morros de la ciudad.
 
Retomar la soberanía del Estado implicaría algunas medidas, como: regularización de la tierra urbana; policías ostensivos y permanentes (y no ocupación policial); saneamiento básico (detalle, con los caños cloacales en la vertical) y una amplia oferta de servicios públicos fundamentales. Un caso límite es el de la salud pública, incluyendo el problemático servicio de ambulancias para atenciones de emergencia, cuyo uso obligatorio de sirenas se hace inviable en áreas de conflicto.
 
Si los habitantes no tienen derecho a una parte significativa de su ciudadanía, no se espera que reconozcan la legitimidad de administraciones que poco o nada les ofrecen. Con ese argumento no afirmo que sea preferible el control territorial de las redes por pandillas del narcotráfico y menos aún la tiranía de para-policías con el apodo de "milicias". Lejos de eso. Pero, afirmo con todas las letras. Si la violencia de narcotraficantes se resumiera a las áreas de favelas, los gobiernos de turno de Río y sus élites convivirían sin problema alguno con ese absurdo. Esa opinión no es mía, y sí de gente como Hélio Luz, delegado de la policía civil y ex-Subsecretario de Seguridad, con quien modestamente concuerdo.
 
Asegurar la plena ciudadanía a las comunidades implica políticas estructurantes al costo de millones de millones de reales. Infelizmente, los habitantes no deben esperar nada en ese sentido de los gobernantes de plantón. La condición es otra. En la historia de la democracia liberal, los derechos fundamentales son fruto de conquistas y no de concesiones. O se obliga el Estado a cumplir con su deber, o tendremos más helicópteros derrumbados seguidos de miles de muertos por año.
 
En búsqueda de conclusiones posibles
 
Puede parecer un pensamiento extremo, pero en situaciones como las del Río, solamente las soluciones extremas son posibles de ser aplicadas. Vale recordar que el descontrol también es un ramo importante de los negocios. Las fuerzas del "orden" de Río siempre coexistían con el Juego del Bicho (mafia de apuestas en paralelo y que es la gran financiadora de las Escolas de Samba y, por consecuencia, del Carnaval Carioca). El peligro constante era el de bandidos independientes, con atención especial a los asaltantes de banco. Ese es el periodo anterior a las lealtades de falanges de la cadena que vinieron a transformarse en "mandos".
 
El desmadre es hijo de la desigualdad con injusticia. Porque la violencia policial-estatal, que garantiza la impunidad la parte de encima de la sociedad brasileña, es la misma que cobra la coima (comisión) semanal de los gerentes de boca de tabaco y suministra mano de obra para las "milicias". En el negociado del orden urbano, se trata de una forma de vida y un amplio sector de la economía organizado en paralelo al sistema impositivo. El suministro de servicios, además de la venta de drogas ilegales, complementa la renta y lavan el dinero del tráfico o de la extorsión para la policía. Implican suministro de gas, transporte de pasajeros en Vans y Kombis, redes de gatos en los puntos de energía e implantación de redes de telecables piratas. A la hora del negocio, el brazo armado del Estado en paralelo "vende" los morros como haciendas con portones cerrados, incluyendo la población y los votos de adentro.
 
Sería necesario un amplio y profundo movimiento civil de los habitantes de esas áreas, como fue en la época de la Apertura, cuando la Federación de Asociaciones de Habitantes de Favelas (Faferj) era un espacio masivo de lucha popular, yendo además de la carrera electoral cada dos años. Tampoco bastarían maquillajes u obras inacabadas como el antiguo proyecto Favela Barrio, todos saben que el problema es de orden estructural. Para barrer esa escalada de violencia como molino propulsor del capitalismo en su forma más salvaje, es preciso un amplio movimiento popular, dentro y fuera de las favelas, en el muero o en el asfalto. [Enviado por Barómetro Internacional]

* Periodista. Maestro y estudiante del doctorado en Ciencia Política por la UFRGS

La Crítica Situación de Honduras

Honduras: Un pueblo en situación de emergencia


 

El Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH) presentó su segundo informe sobre violaciones a derechos humanos en el marco del golpe de Estado, “Rostros y Cifras de la Represión”, en el que se evidencia la brutalidad del régimen de facto en su intento por acallar las diferentes expresiones de resistencia contra el golpe del pasado 28 de junio.

Según los datos presentados por Bertha Oliva, coordinadora general del COFADEH, organización surgida al inicio de la “Década Perdida” de los años ochenta, cuando en plena aplicación de la Doctrina de Seguridad Nacional la sociedad hondureña estuvo militarizada y sus instituciones civiles subordinadas a las Fuerzas Armadas, del 28 de junio al 15 de octubre del 2009 han sido 4.234 los casos de violación al los derechos humanos reportados por esta organización.

Durante una muy concurrida y emotiva conferencia de prensa, Oliva explicó que se registraron 21 muertes violentas y asesinatos con visos políticos, diez de los cuales ocurrieron directamente durante acciones públicas de la Resistencia y o­nce presentan patrones de ejecuciones selectivas, con un modus operandi típico de los cuerpos paramilitares.

A lo largo de 115 días se produjeron también tres atentados contra la vida o intentos de homicidio, 108 amenazas de muerte, 133 casos de tratos crueles, degradantes e inhumanos hacia personas en detención administrativa, 21 lesiones graves y 453 lesiones y golpes. Además, 211 personas fueron afectadas por armas no convencionales como bombas lacrimógenas, gases tóxicos y armas sónicas.

Hubo también 3.033 detenciones ilegales, en su mayoría jóvenes, dos intentos de secuestro, 114 acusados políticos –cinco de los cuales permanecen detenidos mientras el resto está con medidas sustitutivas a la prisión o han sido sobreseido en forma provisional–, diez allanamientos ilegales, 13 casos de persecución a líderes sociales y defensores de derechos humanos, y cuatro atentados contra organizaciones, entre ellas el mismo COFADEH y el Sindicato de Trabajadores de la Industria de la Bebida y Similares (STIBYS).

Con respecto a la libertad de expresión y movilización, el Informe del COFADEH registró 27 casos de violación a la libertad los medios de comunicación, entre ellos el cierre de Radio Globo y Canal 36, 26 agresiones a periodistas, el cierre de tres programas radiales de organizaciones de mujeres, 52 retenes militares y policiales en todo el país que violentaron el derecho de circulación a más de 20 mil hondureños, y una escalada represiva que limitó de forma indefinida la libertad de la población a asociarse y manifestar.

“Confieso que al escribir este informe me he sentido turbada –expresó Bertha Oliva–.

Quizás porque me había hecho a la idea de que en este largo proceso de las últimas décadas habíamos logrado al menos pocos y relativos avances en materia de derechos humanos; pero soy una ilusa.

A más de 100 días de aquella fecha fatídica del 28 de junio que sacudió las entrañas del COFADEH –continuó Oliva– sabemos que estamos ante un violento retroceso de 25 o 30 años, quizas más.

Conocedores de los efectos de la dictadura militar asumimos que no era un hecho aislado, sino que estábamos frente a toda una estrategia para tomar y controlar el poder a largo plazo, o sea que la dictadura ha llegado para quedarse en la región.

Ante esta situación –advirtió la coordinadora del COFADEH– es imprescindible prepararse, porque igual que en el pasado somos depositarias de lágrimas, de angustias, de dolor y de desesperanzas, pero más aún de desesperación”.

Oliva explicó también estar sumamente preocupada por el ataque directo de la dictadura contra el gremio magisterial, que se ha materializado con asesinatos, persecuciones, detenciones ilegales y arbitrarias, retención de cuotas de los colegios magisteriales, levantamiento de perfiles, requerimientos a través del Ministerio Público para abrirles juicio.

También los jóvenes han sido objeto de represión y ya son muchos los que han sido secuestrados, torturados y asesinados, mientras que varios han tenido que abandonar el país.

“Con pruebas documentales en nuestro poder estamos afirmando ante el mundo que en el país vivimos una situación de emergencia. Por tal razón, apelamos ante la comunidad internacional para que permanezca vigilante y observante, para acompañar el desafío de ver juzgados a los perpetradores de los crímines de lesa humanidad”, sentenció Bertha Oliva, no sin antes denunciar las amenazas y el hostigamiento al que está sometido el COFADEH por el régimen de facto, al quererle cancelar su personería jurídica.

“No necesitamos de personería jurídica para buscar la verdad, acompañar a los que sufren, denunciar ante el mundo las barbaries que estamos viviendo. Esta dictadura pretende acallarnos, pero no lo va a lograr. Podrán callarnos la voz, pero no los ideales, ni el pensamiento. Mientras más nos reprimen, más fuerza agarramos”, concluyó.

 

 

Honduras: ¿Son las elecciones la trampa final del imperio para consolidar el golpe? Calculemos un poco

 


Honduras: ¿Son las elecciones la trampa final del imperio para consolidar el golpe? Calculemos un poco

Hace unos días se ha puesto de moda hablar de las elecciones en Honduras. Llama la atención que nadie le haya hecho mucho caso a la denuncia de fraude que hizo el presidente Zelaya la semana anterior. Sin embargo, algunas personas acuciosas buscanromper la barrera mediática que impone el tema en este momento en el país.

Indudablemente demostrar un fraude electoral es cosa compleja, casi imposible; incluso en casos en que era obvio, como en Estados Unidos en el año 2000. También son famosas las elecciones “estilo Honduras”. El caso que nos ocupa, se produce bajo un ambiente complejo, crítico y de profunda ilegalidad.

Sin embargo, siempre existen argumentos científicos que nos hacen preguntarnos cual es la realidad. Por esta razón he acudido a un amigo, matemático graduado en Europa, quien, sin lugar a dudas, es una autoridad en asuntos estadísticos y análisis poblacionales. Los resultados de su hallazgo nos ponen en claro que no podemos, no debemos aceptar el proceso electoral en marcha. A continuación dos argumentos matemáticos que llaman la atención:

Argumento 1:

Honduras según el libro de hechos de la CIA tiene una población de 7,792,854 habitantes (ver https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2119rank.html) y su distribución de población (ver http://www.ecopibes.com/paises/honduras.htm) nos permite inferir que la población debajo de la edad legal para votar es de un 50% de la población total del país.

Bajo el análisis planteado, y aceptando como valido el dato de la CIA para 2009 la población en capacidad de votar debería ser 3,896,427 habitantes.La prensa local afirma que unos 700,000 hondureños no pueden votar por estar fuera del país (ver http://www.latribuna.hn/web2.0/?p=31503). Por lo que las personas aptas para votar este año serian unos 3,196,427 votantes.

Sin embargo, Emmanuel Sagastume, Subdirector administrativo del Registro Nacional de las personas reportó (ver http://www.elheraldo.hn/Ediciones/2009/09/13/Noticias/Listos-4.7-millones-de-hondurenos-para-votar) que existen 4.7 millones de hondureños listos para votar.

Créalo usted o no tenemos la “milagrosa” cantidad de 1,503,573 que no concuerdan con los datos mas actualizados sobre la población hondureña!!!

Dado que este es un tema grave, decidimos hacer en enfoque estadístico mas elaborado. Así, pasamos al

Argumento 2

Si aceptamos que la Población Apta para votar es igual a : P89 (1+T) a la n, donde : P89 es el padrón depurado de votantes en 1989 (el ultimo censo de población confiable en honduras se hizo en 1988), unos 1,954,000 votantes; “T” es la tasa anual de crecimiento que promediaremos en 2.5% para fines de este análisis; y “n” representa los años que han pasado, en este caso son 20 años, obtenemos como resultado que la población en edad de votar estimada para el año 2009 es de 3,201,856 votantes.

Notemos que los resultados de las poblaciones son bastante cercanos, y el margen de diferencia entre ambos métodos es despreciable frente al universo en estudio. En contraste, los números del Tribunal Supremo Electoral y el Registro Nacional de las Personas (RNP) son escandalosamente elevados y alejados de los datos que proporciona el imperio mismo.

Si hiciéramos un proceso inverso, nos daríamos cuenta de que para alcanzar los niveles de población que Honduras requiere para llegar a la cantidad de votantes que proclaman el TSE y el RNP, nuestro país debería tener unos 11 millones de habitantes!!!

No podemos hacer ninguna acusación basados en cálculos matemáticos sencillos, pero si debería llamarnos poderosamente la atención que el gobierno de facto insista en decir que estas serán “las elecciones más votadas de la historia”, o que “todos los hondureños están listos para la fiesta electoral”.

Mas grave aun es que lo que quieren que legitime el presidente es nada mas y nada menos que el fraude electoral mas grande que se haya consumado en toda América Latina. Las denuncias que ha hecho el señor Presidente son indudablemente fundadas.

Los argumentos de las candidaturas independientes muestran su realismo en este análisis. Aun no abordamos el tema del conteo rápido que ha sido otorgado a una o dos empresas celulares. Estas anunciaran a tempranas horas el resultado declarando un “ganador”, el día de esa “fiesta”.

Debemos convencernos que no podemos participar ni acuerpar las elecciones bajo las condiciones actuales. Ni siquiera necesitan la represión militar para hacer el fraude. El presidente ha condicionado su visto bueno a las elecciones a su restitución. Los compañeros progresistas lo han acuerpado en esta posición. La verdad es que a esta altura, nada garantizaría una elección justa y transparente.

Muchas personas insisten que debemos ir al proceso electoral, probablemente creyendo que las condiciones que indican las encuestas nos son favorables. Esta es una trampa, una colosal estafa que es parte del golpe, no su solución. No podemos dejarnos engañar por encuestas que solo nos quieren lanzar a reconocer al régimen de facto, y con ello decir que la constituyente es ilegal.

Si nos atenemos a todas las señales que recibimos, deberíamos denunciar intensivamente estas maniobras. No podemos caer en la trampa de esta derecha hartera y traidora.

No es raro entonces que muchos que se saben repudiados aun continúen en el juego de la farsa, y otros que temen quedar fuera de la “repartición” no se definan de una buena vez. Debemos denunciar con fuerza el apoyo descarado de los Estados Unidos, y otros países a este proceso espurio, al cual han puesto como salida y nunca han cuestionado o pensado siquiera en auditar.

Debemos seguir firmes con la lucha popular por la refundación de la patria. Las maniobras de la oligarquía y el imperio solo buscan alargar la larga noche del sometimiento, el engaño, la miseria y el desencanto de siglos. Vamos hacia delante de la mano de la verdad, así seremos libres.

Ricardo Arturo Salgado

26/Octubre/2009

Stella Calloni: “América Latina se esta uniendo y eso ha desatado la nueva ofensiva sobre nosotros”



Los hombres que tienen el poder han logrado un desbarajuste en el clima, atribuyo a eso este frío día de primavera. Es mediodía. La paso a buscar para realizar esta entrevista. Ella es Stella Calloni. Mujer de bellos ojos y una lucha que no se agota. Periodista, pero por sobre todo poeta. Sus investigaciones marcaron a fuego al anti imperialismo latinoamericano

Su voz revela esperanza y al mismo tiempo la indignación de quien se sabe insurgente. Su mirada del color de un lago me va llevando por el relato que justamente habla de los planes que hacen esos tipos que quieren dominar el mundo..

Stella Calloni: “Son tiempos muy difíciles, la gente que está en política, los militantes trabajan sin tener en cuenta a el enemigo principal. Estados Unidos tiene un proyecto para América Latina. Veamos lo de la IV Flota, el blanqueo de las bases en Colombia. Hay que tomar en serio la relación de dependencia y los planes de Estados Unidos. Muchos países pueden volver a caer en situaciones del pasado, uno de ellos donde mas rápidamente puede pasar lo de Honduras es la Argentina. A pesar de los juicios a los genocidas todavía hay muchos militares de la dictadura metidos en actividades políticas en estos tiempos” 

Gustavo Etimos: ¿Eso tiene que ver con Unoamérica? 

E.C: Si, Unoamérica se crea en Colombia en el 2008 con los mismos elementos de la Operación Cóndor, que fue una operación de contrainsurgencia y no un plan como dicen algunos. En ese tiempo los militares usaron como excusa que había que desmantelar una coordinadora guerrillera de varios países y oponerle una coordinadora represiva. Ahora la excusa para volver a utilizar la represión que utiliza Unoamérica es que hay que destruir al Foro de San Pablo (1). Unoamérica está involucrada en un intento de asesinato a Evo Morales. 

G.E: Hay otro tipo de fundaciones en la que participan varios integrantes del PRO ¿Están relacionadas con Unoamérica? 

E.C:El PRO (2) está organizado en al Fundación PensAr (3) y a su vez con la Fundación Libertad (4). Son más sutiles, son un producto de marketing. Unoamérica es muy burda: patria, familia y propiedad. Fundación Libertad tiene un papel que cumplir. Unoamérica tiene otro. Aunque apuntan a lo mismo.

Fundación Libertad es más peligrosa, más sugestiva, esconde detrás de cursos el plan de recolonización de Estados Unidos. Trabaja bajo diversos nombres en muchos países de nuestro continente. También está el movimiento de Patricia Bullrich, Unión por Todos, (5) en la provincia de Buenos Aires que participa de Unoamérica. La Coalición Cívica (6) pidió ayuda a la NED (7) para estudiar la corrupción en el Congreso. ¡La NED que participó del golpe de Chile, la invasión a Panamá, la guerra en Nicaragua! Estas Fundaciones dependen de la NED, que también estuvo en el intento de golpe a Evo Morales.

Lo peor es que Unoamérica realizó un congreso internacional en Buenos Aires ¡Una fundación de características terroristas, que participa en el golpe de Honduras, actuando públicamente en Argentina! Los organismos de Derechos Humanos tendrían que cerrarle la puerta a estas fundaciones que son el renacimiento de las dictaduras. 

G.E: ¿Cómo hacen estas fundaciones para llegar a la gente común? 

E.C: La Fundación Libertad dio cursos a los productores rurales en Rosario y por primera vez en la historia convence a la Federación Agraria de aliarse a la Sociedad Rural Argentina. La SRA, los golpistas de siempre. Es así como se manejan dando cursos, clases y se esconden bajo muchos nombres diferentes. En Bolivia captaron grupos indígenas para oponerlos a Evo Morales. Documentos desclasificados dicen que buscaban un líder indígena para oponerlo a Evo. 

G.E: Digamos que manipulan a la población… 

E.C: Exacto. Se vio perfecto en el conflicto con los ruralistas. 

G.E: ¿Stella, qué es el CETEDO? 

E.C: Es un maravilloso proyecto. Es el Centro de Estudios sobre Terrorismo de Estado y Estrategias de Dominación. Colabora con la enciclopedia sobre Terrorismo de Estado que se creó en Cuba y además tenemos un pequeño boletín que se llama Vigía del Sur. Sirve para estimular a jóvenes investigadores y la propuesta es colaborar con sitios como Red Eco que ha hecho investigaciones muy buenas. Somos unas veinte personas. Las hay de varios países de Latinoamérica. 

G.E: ¿Y ahora en qué están trabajando? 

E.C: Bueno en lo de las fundaciones de las que hablábamos y en la incidencia que tienen los medios de comunicación para provocar golpes de Estado. 

G.E: ¿Esa incidencia se relaciona con el conflicto de los ruralistas por lo de las retenciones? 

E.C: Es así y lo de los ruralistas no fue destituyente, llamémosle por su nombre: fue un intento de golpe de Estado, en el que muchos medios fueron sus cómplices. 

G.E: ¿Y ahora? 

E.C: Hay una operación de desgaste, degradación, mentira, falsificación que están realizando los medios, en la que también participan corresponsales extranjeros.

G.E: ¿Cómo es posible que los periodistas se transformen en mercenarios? 

E.C: Muchos reciben adiestramiento en Europa, en fundaciones alineadas a la CIA. Muchos jóvenes son invitados a entrenarse allá y el trabajo de las fundaciones consiste en transformarlos en portavoces del sistema. Acá tenemos varios casos de transformistas. 

G.E: ¿Y de qué manera la gente se puede oponer a estas operaciones de contrainsurgencia? 

E.C: Eso puede suceder cuando la izquierda tenga una posición propia, cuando trabaje con las masas. La izquierda de bases la rompió la dictadura y el menenismo que disparo las individualidades. Hay una penosa incapacidad de la izquierda argentina. 

G.E: Entonces el plan de dominación de Estados Unidos ¿cuál es? 

E.C: El del ALCA (8). Apoderarse económica, política y militarmente de América Latina. El Plan Colombia. Ellos dicen que los recursos naturales les pertenecen. Lo marcaron en los años 90; en ese tiempo se definen las nuevas estrategias para América, las guerras de baja intensidad (GBI). La etapa Bush se escenifica en el documento Santa Fe IV “América para Estados Unidos”, rescatan la doctrina Monroe. Uno de los documentos Santa Fe también dice que hay que destruir la cultura “No podemos dominar América si no destruimos su cultura”. Por eso tantos programas de entretenimiento que degradan la cultura. Las GBI comprenden la toma de los medios masivos de comunicación, para tener un control mayoritario de los medios y que si es posible todos desinformen. La industria del entretenimiento está diseñada para destruir los proyectos culturales y desculturizarnos. 

G.E: ¿La ley de medios, recientemente aprobada, puede ayudar a frenar este proceso de desculturización? 

E.C: Si, por eso toda la falsificación que hacen de ella, con esta ley va a ver más oportunidades. Mienten los que dicen Ley K. 

G.E: ¿Vivimos bajo una dictadura mediática? 

E.C: Hace rato, y es una dictadura mundial, un terrorismo mediático. En Honduras muchos medios estimulan un golpe brutal. Eso es terrorismo. Hay que rescatar lo que se hizo con los medios en Ruanda que se les impuso la misma pena a los militares genocidas que a los periodistas que alentaron el genocidio. En Chile se castigó al diario El Mercurio a pagar una indemnización y se echó del Colegio de Periodistas a los que habían colaborado con la Operación Cóndor. 

G.E: ¿Y usted cómo hace para investigar y enfrentar tanta miseria humana? 

E.C: Con la magia que me da la poesía; frente a la miseria humana actual es lo que te da la fortaleza para sobreponerte. La magia te permite reconstruir. Como en la película, Las Noches de Cabiria de Federico Fellini, donde Giulietta Masina la protagonista resurge de la nada. El Che era poeta, aunque no llegó a desarrollar su poesía, el Comandante Almeida también. La poesía es un gran motor, te da la magia para sobrevivir a todas esas miserias. 

G.E: ¿Qué punto de coincidencia puede encontrarse entre el periodismo y la poesía? 

E.C: Para ambos se necesita una mirada que penetre bajo las aguas. Ver cosas que nadie ve, tenés videncias, te adelantás a acontecimientos, le das al cerebro otro lugar de elaboración. Por otro lado el peso de la palabra, tanto en uno como en otro, es extraordinario. Creo que el lenguaje es una construcción social. Cuando en un país la gente se queda con un vocabulario de 600 palabras, hemos descendido al abismo. 

G.E: ¿Dentro del plan de dominio está también la destrucción del lenguaje? 

E.C: Destruir el lenguaje es como destruir la naturaleza. Están tratando de desposeer a la gente de la posibilidad de construir un pensamiento a través del lenguaje. Hay que luchar contra todo eso. La izquierda tiene que ser inteligente con semejante proyecto de dominación sobre nosotros. Necesita hacer una finísima ilación política, para entender cómo estas redes de redes se meten por todos lados.

G.E: ¿Usted que vivió tantas luchas de los pueblos por su liberación, que perspectivas le ve al Socialismo del Siglo XXI? 

E.C: Recién está comenzando a gestarse; hay que analizar qué elementos destruyeron al socialismo de otros tiempos, sobre todo cómo Estados Unidos logró infiltrarse. Por otro lado hay que aprovechar las enseñanzas de los indígenas e incluirlas. La izquierda debe conocer la idiosincrasia de cada pueblo, no todos los países tienen las mismas características, hay que tener un enorme cuidado para organizar una unidad sin herir. 

G.E: ¿Para quebrar esa unidad buscan el desmembramiento como hicieron en la ex Yugoslavia? 

E.C: El antecedente de la ex Yugoslavia no se estudia y es muy importante. Era un gran país socialista con buen desarrollo. Tito logró unir sectores que eran antagónicos En América Latina hay intenciones de desmembramiento, es lo que buscan en Bolivia por ejemplo. Lo que pasa es que América Latina se está uniendo y eso los tiene locos.

(1) Foro de San Pablo: Foro de partidos de la izquierda latinoamericanos, fundado por el Partido de los Trabajadores de Brasil en São Paulo en 1990.

(2) PRO: Propuesta Republicana. Partido de derecha argentino, algunos de sus integrantes participan de fundaciones que dependen de la NED

(3) PensAr: Fundación satélite de la Fundación Libertad, integrada por dirigentes del PRO

(4)Fundación Libertad: o­nG vinculada a PensAR y toda la red de redes dependientes de la NED

(5) Patricia Bullrich-Unión por Todos: Bulrich en su juventud perteneció a la izquierda peronista. Durante el gobierno de Fernando de La Rúa y la Alianza fue Ministra de Trabajo. Sentó las bases del partido Unión por Todos.

(6) Coalición Cívica: No es un partido político aunque admite la adhesión libre de partidos políticos y o­nG´S. Se encuentra organizado a través de una Mesa Ejecutiva Nacional, presidida por Elisa Carrió. Adhieren entre otros el partido Unión por Todos de Patricia Bullrich,

(7) NED: (National Endowment Foundation ). La cara social de la CIA de la cual dependen las demás fundaciones, como PensAR, Libertad, Atlas y tantas otras mas.

(8)ALCA: tratado de libre comercio impulsado por Estados Unidos, que solo traería beneficios para ese país en desmedro de las economías latinoamericanas, sin embargo lo publicitan como la posibilidad de progreso para toda Latinoamérica. 

Stella Calloni nació en la provincia de Entre Ríos, Argentina.

Es vicepresidenta del Movimiento por la Paz, la Soberanía y la Solidaridad entre los Pueblos e integra el Instituto Espacio para la Memoria. Publicó varios libros de poesía y cuento entre otros Los Subverdes (1975), Memorias de trashumante (1998) y El hombre que fue Yacaré (1998). También cuenta con varios ensayos. Algunos de ellos son: Los del año del lobo: Operación Cóndor (1999), Operación Cóndor. Pacto Criminal (2001)

De la crisis a la resistencia (2001) Recolonización o dependencia: América Latina, en conjunto con Víctor Hugo Ducrot (2001)

Realizó entrevistas a varias personalidades como Fidel Castro, Salvador Allende, Yasser Arafat, Hugo Chávez, Daniel Ortega, Muammar Kadafi, Noam Chomsky, Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes, Eduardo Galeano, Monseñor Romero, Rigoberta Menchú, Graham Greene, entre otras.

Actualmente es corresponsal del periódico La Jornada de México.

Paramilitarles Matan a Político Progresista en Atlántida, Colombia

Unos sicarios asesinan a Jaime López, dirigente regional del Polo Democrático Alternativo

 

 

Jaime López, miembro de la Dirección Regional del Polo Democrático Alternativo en el departamento del Atlántico en la costa Caribe colombiana , fue asesinado en el día de ayer por disparos de sicarios, cuando ingresaba a su residencia luego de llevar a su hija al colegio. El Abogado Jaime López era un integrante destacado del Comité Ejecutivo Departamental del PDA.

 

Con Jaime, son ya tres los integrantes de esta dirección política asesinados, más de diez han denunciado amenazas y otros han tenido que salir de la región por temor a ser víctimas de atentados.

 

El Polo Democrático Alternativo es un movimiento de unidad de las organizaciones de izquierda y de movimientos sociales. Fue constituido en el año de 2005 por una veintena de organizaciones políticas de izquierda y líderes de organizaciones sindicales, estudiantiles y de distintas organizaciones populares. En las elecciones parlamentarias de mayo de 2006 eligió 18 parlamentarios y en las elecciones presidenciales del mayo del mismo año se convirtió en la segunda fuerza electoral del país con el 23% de la votación. 2.600.000 votos. En el año 2007 ganó la alcaldía de Bogotá, la populosa capital colombiana de 8 millones de habitantes. Ya en el año 2004 la izquierda había ganado la Alcaldía de Bogotá en coalición con un sector del partido liberal.

 

Los integrantes del Polo han sido señalados por columnistas de derecha y por el propio presidente Uribe como testaferros de la guerrilla. Varios de sus integrantes han sido asesinados e igualmente el gobierno y los grandes medios han ejercido una gran presión para romperlo y debilitarlo. Actualmente el Polo está sumido en un gran debate interno entre sectores consecuentes con el ideario fundacional y otros quienes proponen acuerdos electorales con políticos neoliberales e incluso uribistas.

 

Se teme que estos asesinatos, como el de Jaime López, hagan parte de una campaña de exterminio como el desarrollado contra la Unión Patriótica, el movimiento político unitario de izquierda constituido en 1985 y que fue exterminado en un verdadero genocidio. Más de cinco mil de sus fundadores han sido asesinados.